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Rolezinho

DA OSTENTAÇÃO À VERDADEIRA RIQUEZA

Quando um grande contingente de jovens olha para o shopping center enquanto epicentro das interações sociais coletivas, está sinalizado que estamos diante de um fenômeno que é sintomático de uma sociedade profundamente marcada pela violência, como também pelo consumismo. Dialogar sobre os "rolezinhos", ao invés de tão somente reprimí-los, se torna, deste modo, uma importante oportunidade para revisar valores sociais arraigados e frequentemente ignorados.

Um shopping center não raro contém lojas com os produtos mais caros e cobiçados de uma cidade, e por este motivo, se torna um dos espaços públicos mais intensamente vigiados. Se a juventude prefere reunir-se neste espaço, um de seus motivos pode muito bem ser a inaptidão do poder público em manter a segurança nos espaços sob sua responsabilidade nas grandes metrópoles, e que, historicamente, foram destinados à reunião de jovens. A praça pública, durante muitas décadas, foi um destes espaços, e abrigou não só aos seus frequentadores, como também ao desenvolvimento de suas próprias expressões artísticas e musicais, ao exemplo da música popular brasileira.

Novos espaços significam novas culturas, novas músicas e novos valores. Podemos criticar, em nossa liberdade de pensamento, o funk ostentação como expressão do consumismo --- mas não sem antes percebê-lo enquanto inserido em uma sociedade onde os jovens são bombardeados por valores consumistas a todo instante, tanto pelos meios de comunicação quanto por seus limitados espaços de convivência social. Aqui, novamente, a mera repressão deste gênero musical não poderá substituir a compreensão maior dos fatos, sob o risco de agirmos como um médico que visa reprimir a manifestação dos sintomas, sem entretanto atingir a patologia.

Foram nos espaços destinados à reunião de jovens que aconteceram transformações culturais e políticas sem as quais, dada sua importância, a história do país teria de ser reescrita. Revitalizar estas reuniões, e promover condições para que elas ocorram da melhor maneira possível para os envolvidos, é portanto uma tarefa para toda a sociedade. O governo deve investir em segurança pública, de tal modo que os jovens sintam a possibilidade de locais alternativos, e possivelmente ao ar livre, para a realização dos "rolezinhos" --- espaços que, aliás, devem ser reformados e readaptados conforme o necessário. Também serão de grande valia os incentivos e o espaço aberto nos meios de comunicação às produções culturais em escala local e comunitária. Agindo assim, a sociedade migrará da "ostentação" ao tão necessário enriquecimento cultural daqueles que são as sementes do futuro.

P.S.: Redação escrita a partir da proposta do ENEM PPL ( prisional ) de 2014.
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