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Retrospectiva - Tema de Redação ENEM (2009): O indivíduo frente à ética nacional

Um dos temais mais clássicos da filosofia, a ética foi amplamente discutida ao longo da história da humanidade: Aristóteles, Platão e Schopenhauer constituem uma amostra ínfima de autores que discutiram o tema. Entretanto, foi em meados do século XIX que Karl Marx, filósofo alemão, atribuiu à ética um sentido novo sentido. Metaforicamente, o autor tocou em tal assunto ao afirmar que mesmo o melhor dos tecelões ainda seria melhor que a melhor das aranhas. Levada em conta a disparidade histórica causada pelo avanço tecnologico na produção textil, tal afirmação é poderosa pois, nela, é cristalizada a noção de que ética é um valor estritamente humano, ou seja, é graças à ética, característica que permite que o ser humano tenha a liberdade de tomar suas escolhas para aperfeiçoar o convívio social, que o mesmo pode sempre evoluir. Nesse sentido, a ética nacional é o conjunto de diversas liberdades de aperfeiçoamento que podem, caso seja do interesse da nação, ser repensadas de maneira a alterar o modus operandi vigente.


Em primeiro plano, é importante destacar que, ainda que a ética se constitua enquanto uma liberdade natural do ser humano, tal fator corresponde somente mais a uma capacidade do que, a priori, a um valor. Assim sendo, diversos outros fatores sociais como a desigualdade de renda extrema e pobreza são absolutamente centrais quando o que se discute é a ética de uma nação. A exemplo de países desenvolvidos e com baixíssimos níveis de desigualdade social como, por exemplo, a Noruega e a Suécia, pode-se constatar como, não possuindo nenhum tipo de privilégio e fortemente vigiada pela lei, a classe política tende a atuar, de fato, a favor da sociedade e com maior transparência em seus projetos e gastos. Além disso, tais países, que realmente tratam politicamente de sua população como indivíduos igualitários, figuram, não coincidentemente, dentre os países com maior índice de IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano. Não é ilógico, portanto, que se entenda que a relação entre a liberdade de escolha individual e o bem comum são intrinsecamente relacionados, de modo a, cada vez mais, tais países se destacarem por suas políticas públicas e incentivo à igualdade.


Ademais, outro fator de grande peso no que diz respeito à constituição de uma ética nacional, para além dos fatores socio-econômicos, é a constituição familiar. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, um dos fatores que mais influencia no desenvolvimento de um indivíduo, da infância à vida adulta, é algo denominado "capital cultural". De acordo com tal teoria, capital cultural seriam os ativos que os indivíduos vão acumulando, invariavelmente, ao longo de sua vida; seria em grande parte, portanto, tudo aquilo que lhe foi ensinado no seio familiar desde seu nascimento. Nessa perspectiva, a ética nacional é também diretamente influenciada - senão totalmente - pelas maneiras pelas quais tais famílias são estruturadas, isto é, em um país em que grande parte da população se desenvolve em estruturas familiares negligentes e despreparadas, o futuro não será diferente, e, muito menos, melhor.


Com tais argumentos em mente, seria lógico entender que a ética se constitue enquanto uma característica humana que sempre permite aos indivíduos o auto-aperfeiçoamento, que permite com que, diferentemente das aranhas, a produção de fios e tecidos possa sempre ser tornada mais eficiente. Como forma de induzir um novo modelo de ética que consiga promover maior sentimento de pertencimento da comunidade, respeito ao próximo e amor à nação, é essencial que, para além de tantas outras, uma característica da sociedade brasileira seja frontalmente combatida: o abismo entre a classe política e a sociedade civil. Cabe ao governo federal, então, assim como em um projeto que busca o desemparelhamento do próprio Estado, elaborar um projeto que vise redução de privilégios da classe política, como, por exemplo, dos altos salários, dos carros oficiais e das bonificações de todos os tipos. Para tanto, a pressão popular por meio de passeatas e cobrança dos eleitos é vital, fazendo com que, à exemplo da revolução dos cravos em Portugal, os rumos da história sejam pacificamente mudados.

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