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Retrospectiva - Tema de Redação ENEM (2007): O desafio de se conviver com a diferença

  No primeiro contato entre portugueses e indígenas em terras hoje chamadas de brasileiras, algo notório nas cartas de Pero Vaz de Caminha foi o estranhamento entre as partes, postura presente ao longo dos séculos posteriores, desenvolvida principalmente pelos brancos, os quais, muitas vezes, usaram da força para impor seu modo de vida aos que lhes eram distintos em cultura. Não distante disso, apesar dos inúmeros avanços nos Direitos Humanos na sociedade, ainda há nas relações sociais impeditivos para a intermediação entre as diferenças. Dessa forma, as pessoas privam-se do esclarecimento e benefícios proveniente das trocas nas relações humanas, provocando assim, a perpetuação de conceitos pré-estabelecidos e diversos crimes contra a humanidade.


   Em primeiro lugar, vale-se destacar a filosofia kantiana sobre o iluminismo na humanidade, o qual ocorre através do diálogo com a diferença. Segundo Kant, isso exige desprendimento e coragem para o indivíduo na tentativa de compreender o outro e tomar  suas próprias decisões através do ato de "ousar saber". Logo, a troca com o não igual, seja em ideologia, etnia, gênero, religião, tipo preferido de música ou filme, é imprescindível para a construção de uma sociedade pluralizada em inclusiva, e por fim, esclarecida. Por certo, o desejo de aprendizado tem de ser maior do que as diferenças existentes para chegar na proposta do filósofo, caso isso não ocorra, os indivíduos obstruem de si mesmo a capacidade do desenvolvimento pessoal e, posteriormente, de todos os seres humanos.


   Em segundo lugar, as sociedades ainda têm em muitos aspectos de sua consciência coletiva a análise das outras através de suas próprias perspectivas, sem realmente adentrar na visão diferente proposta para entendê-la de fato. Exemplos disso são os conceitos de alteridade e relativismo cultural, os quais são princípios novos historicamente para a análise das diversas sociedades, demonstrando que o etnocentrismo é um fator recorrente ao longo da história. Nisso, atrelado ao senso de pertencimento necessário e inerente ao ser humano, as pessoas colocam-se em posições muitas vezes preconceituosas, considerando o que deveria ser o "outro eu", parte de uma mesma raça, como um simples outro, até mesmo como subespécies tal qual os genocídios indígenas nas Américas e o judeu na Alemanha nazista.


   Diante disso, visto que a convivência com o diferente é algo agregador na sociedade e que há inúmeras dificuldades para a efetivação dela, faz-se necessário o engajamento do Mec juntamente com empresas na área tecnológica para a criação de projetos educativos online, como jogos e vídeo-aulas interativas objetivando o acesso a todos os alunos a conteúdos gratuitos sobre etnocentrismo, sendo eles adequados a cada série desde o ensino fundamental I. Somente assim será possível desenvolver nas próximas gerações a percepção de que antes de tudo, as pessoas pertencem à raça humana e, que mesmo nas diferenças, há igualdade.


 

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