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Retorno das doenças erradicadas

Em função do progresso científico, diversos foram os avanços no âmbito da saúde, como o controle de epidemias, por intermédio de um mecanismo de prevenção. No Brasil atual, entretanto, mesmo após toda essa evolução, tem-se um cenário preocupante, pois doenças, que antes tinham sido controladas, começaram a surgir novamente, de modo que esse retorno configura uma problemática no contexto nacional. Com isso, faz-se necessário analisar tal questão a partir de seus aspectos causais, diretamente relacionados a lacunas socioeconômicas antigas do Brasil: a precariedade do ambiente urbano e a negligência preventiva.


 



Antes de tudo, é preciso entender que a inadequada estrutura de muitas cidades nacionais figura entre os motivos desse problema. Acerca dessa premissa, pode-se traçar um paralelo com a obra “O Cortiço”, do naturalista Aluísio Azevedo, a qual evidencia as moradias precárias e insalubres do Rio de Janeiro do fim do século XIX, que ficaram conhecidas, popularmente, como cortiços. Atualmente, a realidade urbana das periferias brasileiras assemelha-se àquela evidenciada no livro, uma vez que, segundo o Ministério da Saúde, no estado do Piauí, por exemplo, apenas 7% da população tem acesso a serviços de recolhimento de esgoto e saneamento básico. Desse modo, a proliferação de vírus causadores do cólera e da febre amarela, por exemplo, torna-se cada mais vez propícia no país, de forma que essas doenças, cujo controle já tinha sido efetivado, voltam a reaparecer.


 



Ademais, destaca-se o desdém relativo à prática preventiva como agravante dessa conjuntura. No início do século XX, a ignorância de parte da sociedade carioca e a truculência das autoridades protagonizaram as causas de um episódio da história que ficou conhecido como Revolta da Vacina. De maneira análoga, não é difícil notar semelhanças com o quadro social atual, haja vista que uma parcela da sociedade nacional tem deixado de vacinar seus filhos, em virtude do desconhecimento acerca da importância desse ato, além da disseminação de notícias falsas sobre as vacinas. Assim, com esse quadro estabelecido, o retorno de doenças erradicadas torna-se uma consequência inevitável.


 



Entende-se, portanto, que as raízes do ressurgimento de doenças, que antes tinha sido controladas, estão relacionados a questões de cunho urbano e preventivo. A fim de atenuar o problema, o Governo Federal, aliado às esferas estaduais e municipais do poder, deve promover  a realização de obras e de planos que visem melhorar o saneamento básico e a coleta de lixo, por meio de um amplo projeto de reestruturação urbana, que propicie também a introdução de fiscais, os quais ficaram responsáveis não só por checarem as áreas de maior risco, como também evidenciarem às famílias sobre a importância da vacinação como fundamental mecanismo de controle de doenças. Dessa forma, tal medida solucionará o problema da proliferação de vírus e conscientizará a população quanto a um importante fator de prevenção, impedindo o retorno de doenças já controladas no contexto nacional, de modo que a realidade brasileira distanciar-se-á daquela apresentada em “ O Cortiço”.

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