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Retorno das doenças erradicadas

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas "Memórias Póstumas" que não teria filhos, a fim de não transmitir nenhum legado da miséria humana. Analogamente, a mudança de mentalidade da população, que se tornou menos preventivo, além da desinformação de grupos antivacina enquadram-se no conjunto de "misérias da humanidade", uma vez que se constituem como desafios da sociedade a serem superados para mitigar o problema do retorno das doenças erradicadas. Assim, é necessário discutir os aspectos sociais e políticos da questão, em prol do bem-estar social.


Primeiramente, vale ressaltar o efeito que a falta de informação possui na manipulação das pessoas. Consoante à Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nessa perspectiva, o avanço da medicina no Renascimento Científico perpetuou a mentalidade, nas atuais gerações, de que não devemos mais se preocupar com imunização ou prevenção. Assim, esse pensamento permite a construção de uma ilusão de invencibilidade da raça Humana, que resulta no retorno de doenças erradicadas. Dessa forma, medidas são necessárias para alterar a reprodução, prevista por Bourdieu, dessas ideias para os descendentes.


Por conseguinte, vale ressaltar o efeito que informações erradas possuem na manipulação das pessoas. Com o advento da Revolução Técnico-Informacional no final do século XX a velocidade de transmissão de informação aumentou vertiginosamente. Entretanto, informações falsas, como as de grupos antivacinas, manipulam a conduta de diversas famílias no Brasil, que culmina na diminuição da porcentagem de vacinados na país, além do consequente retorno de doenças erradicadas, como o sarampo, que, dada como erradicada em 2016, já houveram 1.400 casos só nos primeiros oito meses desse ano.


É evidente, portanto, que é necessária uma intervenção estatal. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o da Saúde, deve adicionar à grade curricular do ensino fundamental e médio, aulas ministradas por enfermeiros e médicos epidemiologistas da região, para debater sobre a importância da vacinação e sua consequência para a sociedade, a abordagem deve ser feita com o intuito de, também, refutar argumentos antivacinas, com auxílio de materiais didáticos sobre o assunto. Para que assim, a próxima geração cresça conscientizada sobre o assunto, afim de que, com isso, na teoria de Bourdieu a sociedade caminhe para perpetuar a mentalidade da prevenção.

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