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Redes sociais e o novo conceito de felicidade

     Na obra ''Utopia'', Thomas More retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social se padroniza pela ausência de conflitos, resultando na plena felicidade de seus moradores. Longe da ficção, a perfeição utópica vista na obra, assemelha-se ao objetivo de uma parte da população no que concerne à exposição pública. Nesse sentido, o parecer antes mesmo de ser, reproduz estigmas na sociedade que corroboram com inúmeras mazelas psíquicas para o restante de uma população supostamente fora do padrão. Em vista disso, entender a superficialidade cotidiana exposta nas redes sociais, bem como o nocivo resultado dessa perspectiva nas relações, torna-se necessário para a dissolução dessa problemática contemporânea.
        Primeiramente, urge compreender essa falsa noção de plenitude mostrada na redes. De acordo com Émilie Durkheim, o fato social coage e impele os indivíduos a agirem de acordo com um padrão dominante ou almejado. Analogamente, expor o melhor carro ou a melhor viagem sem mostrar as parcelas do boleto por trás carro ou as horas de atraso do vôo, caracterizam, como exemplo, a sociedade moderna, na qual o indivíduo é alienado a sempre mostrar felicidade, mesmo que na prática seja uma mentira. Com efeito, essa superficialização dos perfis onlines repercute em uma competição entre internautas, fato que estabelece uma nova "luta de classes", aludindo às obras de Karl Marx, no mundo capitalista.
        Nesse cenário nada saudável, o "proletariado" da relação tende a inferiorizar-se. Segundo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Paralelamente à frase bourdieuana, há uma ressignificação das novas redes interpessoais que outrora tinha como intuito a maior agregação entre a população, garantindo descontração e entretenimento. Com essa nova visão competitiva na exposição, muitas pessoas não conseguem se adequar a norma dominante, proporcionando sentimentos de subalternidade, afluindo em mazelas como ansiedade e depressão.
           Diante do exposto, portanto, medidas estruturais são imprescindíveis para a desvirtualização desse processo pandêmico e egoísta. O Ministério da Educação pode intervir por meio da escola, principal socializadora secundária. Com a distribuição de verbas entre a união e municípios para a contratação de profissionais, pedágogos e psicólogos devem ser usados em debates e palestras em colégios, com o fito de discutir com os jovens sobre a realidade conflitante que permeia as redes digitais. Com isso, os menores e futuros cidadãos poderão alimentar um senso mais crítico, e, como na obra de Thomas More, a sociedade de fato alcance uma maior e autêntica felicidade.

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