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Redes sociais e o novo conceito de felicidade

"Nosedive", um dos episódios da série Black Mirror, mostra uma sociedade futurista em que seu desempenho nas redes sociais é determinante no tipo de vida que você leva. Embora a série se apresente como uma distopia, o nível de realidade dela é desconcertante: mais do que nunca as pessoas usam as mídias da internet como forma de se autoarfirmar perante a sociedade. Entretanto, o mundo de aparências dessas plataformas podem ter impactos na saúde mental dos usuários —sendo necessário, assim, analisar a situação em busca de soluções.


Em primeiro lugar, é interessante ressaltar o que torna as redes sociais tão atraentes. O sonho americano de alcançar a fama e sucesso somado ao prazer de assistir suas personalidades favoritas performarem — é o que oferece sites como o Instagram, onde ocorre um amálgama em que as pessoas se tornam simultaneamente a platéia e o artista em cima do palco. As redes sociais se mostram, dessa forma, uma oportunidade de performar tudo para todos, e assim como um artista busca entreter seu público, o usuário desses aplicativos também fazem isso — mostrando as partes mais bonitas de seu dia e criando a ilusão de uma vida perfeita.


As consequências dessa constante performance fica evidente no mundo de hoje. Nietzsche via os desejos como algo predominantemente negativo. Se o filósofo pudesse ver o panorama atual, perceberia que seu posicionamento estava acertado: os desejos trazem a sensação de ausência e levam à busca de uma plenitude inatingível. As redes sociais, nesse contexto, se mostram como verdadeiras máquinas de criar necessidades: ver viagens, festas, roupas e os mais diversos estilos de vida pouco acessíveis para o dia a dia da maioria das pessoas leva à comparação de realidades — e, como consequência, a insatisfação com sua própria. 


Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para amenizar a situação. Seguindo o exemplo recente do Instagram, que tirou a possibilidade dos usuários verem o número de likes em suas fotos, seria interessante que outras empresas tomassem medidas semelhantes, que desincentivem a quantificação do seu êxito na internet — isso poderia melhorar a relação das pessoas com essas plataformas, as tornando menos preocupadas em atingir um sucesso superficial. As escolas poderiam ministrar aulas com psicopedagogos que ensinem às crianças a usar as redes sociais de forma mais saudável. Assim, talvez, o futuro previsto por Black Mirror seja parcialmente evitado.

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