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Redes sociais e o novo conceito de felicidade

O importante não é viver, mas viver bem. Essa frase cunhada pelo filósofo clássico Platão sintetiza a sua corrente de pensamento teleológica, que tem como finalidade alcançar a felicidade. Conquanto, com a explosão da era da informação, o significado desse sentimento vem sofrendo transformações, principalmente após a popularização das redes sociais. Nesse contexto, cabe o debate acerca dessas mídias de interação e o novo conceito de felicidade.


 


Em primeiro plano, é importante definir as comparações que ocorrem nas redes socias como um vetor de infelicidade. Tal fato ocorre, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de Michigan (UM), porque a tristeza dos internautas cresce prorcionalmente ao tempo que eles passam observando a felicidade alheia na internet. Esse fenômeno é fruto do pensamento contemporâneo de que a felicidade está atrelada à conquista de algo, o que torna a alegria de terceitos frustrante, induzindo o indivíduo a perseguir uma "vida perfeita" que não existe. Nesse sentido, Allan Watts afirmou que a constante busca por algo só torna o ser humano deprimido, pois é uma constante lembrança de que ele não possui esse algo. Portanto, fica claro que para viver bem é necessário deixar de lado as comparações impostas pelo meio virtual.


Faz-se mister, ainda, entender como o anonimato possibilitado pelas redes sociais pode subtrair a felicidade de seus usuários. Segundo o escritor Heitor Cony, a internet vem se tornando um veículo poluidor, não no sentido ambiental, mas poluidor da alma. Isso ocorre porque o anonimato retira o freio moral de arcar com as consequências dos próprios atos, fomentando discursos de ódio proferidos por indivíduos que, sem esse recurso, não teriam coragem de ferir outras pessoas por motivos superficiais e tornar o mundo digital um ambiente tóxico. Esse fenômeno é chamado "efeito estádio de futebol", onde até o mais calmo dos cidadãos se torna extremamente hostil se protegido pelo anonimato da arquibancada. Dessa forma, é preciso mudar as atitudes desses indivíduos que visam o mal em vez da felicidade.


Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para combater esses entraves. Urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, em parceiria com influenciadores digitais, veicule propagandas nas redes sociais visando diminuir as comparações que ocorrem nessas mídias, visando a diminuição da porcentagem de pessoas afetadas pelo fenômeno alvo da pesquisa feita pela UM. Ademais, é fulcral que o juducuário brasileiro faça valer a Constituição Federal que permite a liberdade de expressão, mas veda o anonimato. Para que isso seja feito, o legislativo pode criar leis que obriguem os usuários a informarem às plataformas seus dados pessoais, mesmo que eles não fiquem visiveis para o público, com o intuito de agilizar a localização do internauta que cometa algum delito contra outros indivíduos. Isso sendo feito, as redes sociais podem seguir a corrente teleológica de Platão, tendo a felicidade como fim.

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