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Redes sociais e o novo conceito de felicidade

Durante toda a história da humanidade é possível perceber períodos que foram caracterizados como ideais de júbilo a serem alcançados, seja o 'American Way of Life' após a Guerra-Fria, no século XX, ou a Belle Époque na Europa Vitoriana, o que temos de fato em comum é a valorização de uma suposta luxuosidade ligada ao estado de felicidade intrínseco. Atualmente, esse fenômeno é ainda mais acentuado pela maximização da cultura de consumo capitalista disseminada pelas mídias e redes sociais e, dessa forma, configura-se a problemática superficialização da vida e dos prazeres, fato que leva as pessoas buscarem ideais que no final não irão satisfazer suas expectativas e, para uma grande parte da população, são inalcançáveis, causas para uma sociedade depressiva e desligada do "mundo real".


É indubitável a importância das redes sociais e dos chamados "influenciadores digitais" na moldagem da percepção do ideal de felicidade como se tem contemporaneamente. De acordo com Aristóteles em "Ética e Nicômaco", há três modos de vida e suas respectivas concepções de alegria, a primeira e mais simplista é a vida guiada pelos prazeres e impulsos, o que, pela análise do filósofo, pode ser pontuado como uma forma de escravidão, a segunda, é a vida guiada pelo reconhecimento e olhares dos outros, pessoas que pensam assim parecem querer provar para si mesmas que são, de fato, boas e úteis e, a última, seria a vida contemplativa, a qual os indivíduos buscam um fim por ser um fim nele mesmo e não uma ponte para alcançar outro. Ou seja, o que se vê nos meios digitais é paralelo aos dois primeiros modelos descritos por Aristóteles, a busca árdua pela aceitação, posses e prazeres momentâneos não traduz a verdadeira felicidade apenas alcançada pela razão e pelas virtudes.


Além disso, pelo fato das pessoas na maioria das vezes só compartilharem seus momentos de alegria e sucesso, a sensação que se tem nos aplicativos sociais é que todos possuem a "vida dos sonhos", porém, sabe-se que são apenas personagens por trás da velocidade e impessoalidade da internet. Segundo o filósofo Friederich Nietzsche, é fundamental o uso dessas máscaras sociais para não enlouquecer ou definitivamente subverter as verdades tidas ideologicamente como absolutas, o indivíduo a veste como forma de se defender das próprias vontades e imperfeições pecaminosas. Ou seja, é perceptível que os influenciadores e grandes marcas, assim como os usuários, pretendem transmitir aos seu interlocutor apenas uma imagem produzida a partir de definidos padrões baseados em uma cultura de consumo e valorização do capitalismo como ideal de felicidade, um processo que aproxima o ser humano do mundo e o afasta de si mesmo e, portanto, de seu real fim (ou alegria).



Portanto, é possível concluir que em um mundo cada vez mais conectado e impessoal é necessário cuidado para não ter as expectativas e emoções dependentes das novas tecnologias, fundamental sair do virtual e viver o "real" juntamente. Dessa forma, a fim de amenizar os impactos nas gerações que já nasceram em um mundo completamente conectado, é importante que o Ministério da Educação promova nas escolas oficinas de modo a ensinar esses jovens a utilizarem de forma responsável essas novas ferramentas e desenvolver o discernimento entre o que é virtual e o que é real. E, além disso, é de suma necessidade que o Governo Federal aliado ao Ministério da Saúde divulgue campanhas e eventos de forma a conscientizar a importância do acompanhamento psicológico e relações interpessoais no dia a dia como forma de saúde, a conscientização sobre os impactos do capitalismo e cultura de consumo na felicidade das pessoas é um assunto de saúde pública e deve ser tratado com atenção.

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