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Redes sociais e o novo conceito de felicidade

   As revoluções comunicacionais foram de fundamental importância para o desenvolvimento da humanidade. Assim, a escrita possibilitou o acúmulo de conhecimento, a imprensa permitiu a difusão em massa das notícias, a fotografia introduziu a cultura da imagem e a era digital dispensou o meio físico para a transmissão de informações. Contudo, na internet, quando se pensa no uso das redes sociais, observa-se uma modificação no conceito de felicidade. Nesse sentido, convém avaliar os fatores que colaboram para o compartilhamento de mensagens e fotos online.


    Em primeiro lugar, vale ressaltar que é nítida a preocupação geral em postar uma vida feliz e sem problemas. Nesse cenário, a famosa frase do monólogo da peça Hamlet, do escritor William Shakespeare, "ser ou não ser, eis a questão", deixa de fazer sentido, pois, os conflitos existenciais do século XXI são marcados pela aflição do parecer em vez do ser. Diante desse fator, a felicidade é associada a fotos que contenham uma família perfeita, amigos extraordinários e um cargo de trabalho excepcional. Além disso, são considerados como sinônimo de fracasso todos aqueles que não conseguem mostrar uma rotina de trabalho, estudo, exercício físico e refeições 100% saudáveis. Dessa maneira, a manipulação da realidade passa a fazer parte do dia a dia da maior parte dos usuários do Instagram e Facebook.


    Sob esse ponto de vista, a verdade nas relações de conexão online é desvalorizada em detrimento dos padrões de realização. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a pós-modernidade é marcada por vínculos pessoais extremanete fluidos e voláteis. Logo, a metáfora exemplifica a falta de solidez e constância das associações entre os indivíduos. Seguindo essa análise, a internet facilita a relativização da veracidade dos conteúdos. Desse modo, as pessoas comuns se sentem frustradas na medida em que "digitais influencers" postam fotos em uma praia paradísiaca em plena segunda, mostram dezenas de objetos recebidos por marcas notáveis e são pagos apenas para comparecer em grandes eventos. Destarte, a busca por este estilo de vida, moldável pelo prazer, se torna o principal motivo do sofrimento humano.


      Fica evidente, portanto, que em muitas situações a realidade virtual é distorcida para causar cobiça na maioria dos seguidores ou amigos online. Por conseguinte, para evitar a atual sensação de inferioridade provocada pelas mídias de grupo, cabe aos veículos midiáticos desconstruir a ideia da possibilidade de uma vida perfeita. Isso pode ser feito por meio da produção de novelas e filmes que tenham como temática os padrões inalcançáveis compartilhados nas redes sociais. Dessa forma, mediante a conscientização dos telespectadores, o conceito de felicidade baseado em restaurantes de luxo, viagens e roupas caras deixarão de ser prioridade para a construção de momentos felizes. Por fim, como efeito de uma política de assimilação da realidade por intermédio da ficção, será possível diminuir os danos da cultura imagética das redes sociais.


 


 


 

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