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Redes sociais e o novo conceito de felicidade

 


No início do século XXI, a internet era vista, por especialistas, como um meio de comunicação mais democrático e livre. No entanto, com a expansão desse meio, notou-se que tais expectativas foram negadas em detrimento de uma cultura performática que homogeniza os comportamentos individuais. Tal cultura, dita uma cartilha da imagem ideal em rede e distorce, de maneira grave, a percepção dos indivíduos entre si.


Cabe salientar que essa tendência não foi criada pela internet, mas adotada por ela. Já em 1967, Guy Debord, filósofo francês, em seu livro "A Sociedade do Espetáculo", apontou que, nas sociedades capitalistas, criou-se uma interdependência entre o consumo e a imagem. Ou seja, para esse pensador, o ser estava submetido ao ter (consumo), típico das sociedades capitalistas tradicionais, e ao parecer (imagem), nova tendência que ganhou força com a sofisticação das técnicas publicitárias, no século XX.


Em decorrência disso, vê-se que, embora a publicidade tenha criado a sociedade do espetáculo, é na internet que ela tem se intensificado. Exemplo disso é o caráter das imagens expostas em rede, fotos de festas exclusivas, jantares caros, viagens para o exterior são enaltecidas, pois reforçam o ideal do consumo relacionado a felicidade. No entanto, não é difícil perceber as consequências socioeconômicas desse tipo de afirmação, os indivíduos, que utilizam a rede e não possuem a mesma capacidade de consumo, sentem-se excluídos dessa realidade e passam a acreditar que, se não reproduzirem essas imagens em suas próprias vidas, jamais conseguirão encontrar nenhum tipo de satisfação pessoal.


Dado que o problema apresentado diz respeito às relações entre os indivíduos, cabe à sociedade civil o dever de confrotar os aspectos da cultura do espetáculo. Por meio do diálogo, cada pessoa, consciente dessa realidade, deve está disposta a conscientizar também o próximo. Isso pode ser estabelecido em rede, como o uso de hashtags para a conscientização, porém, deve ser principalmente feito na vida real, para que não se dependa exclusivamente da imagem para lutar contra ela. Dessa forma, seria possível criar uma cultura em que se valoriza o ser em detrimento do parecer.

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