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Redes sociais e o novo conceito de felicidade

A atual conjuntura de industrialização, conceituada pelo fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, como a Quarta Revolução Industrial, denota mudanças fundamentais no que tange à configuração das relações interpessoais, visto a profunda vinculação existente entre os recursos tecnológicos e a sociedade. Essas modificações incidem diretamente na maneira como as redes sociais se tornaram mediadoras entre seus usuários e suas respectivas percepções da realidade. Sob esse prisma, veículos informativos, como o Instagram, permitem a exibição de um recorte da vida privada e suas ações cotidianas que enquadram momentos de aparente felicidade e realização, consequentemente, tal delineamento pode provocar no receptor a assimilação da parte pelo todo, podendo frustrá-lo ao não alcançar satisfação plena em suas próprias vivências rotineiras. Depreende-se, desse modo, a importância de mudar esse paradigma, o que pode ser alcançado por intermédio da educação.


De início, derivadas do modo como as redes sociais são utilizadas, consequências nocivas tem ressoado diretamente sobre o bem-estar de seus usuários. O pressuposto pregado pelo Dalai Lama, no livro "A Arte da Felicidade", quando aborda a busca por felicidade, é de que essa deve ser alcançada por meio da serenidade, sem a necessidade de prazeres passageiros ou da posse de fatores externos. Os significados que circulam no ambiente digital, contudo, reforçam um ideal hedonista, que tem seus alicerces na busca por bens materiais e experiências capitalizadas, como viagens ao exterior, ambos inacessíveis para a maior parte da população durante o cotidiano atribulado, dado as preocupações rotineiras, como a crescente exigência do mercado de trabalho e as inovadoras distrações que a conectividade gera. Prova disso, é o fenômeno nomeado, em artigo da revista "Times", como "Fear of missing out", podendo ser traduzido por "Medo de ser deixado de fora" - consequência da ansiedade experienciada por usuários de redes sociais que são expostos a manifestações de realização alheia e, ainda, se sentem incapazes de proporcionarem o mesmo para si. Esse quadro pode provocar frustração tanto naqueles incapazes de manter um padrão de vida hedônico, quanto naqueles que conseguem e, apesar disso, não encontram a suposta felicidade preconizada nas plataformas virtuais.


Outrossim, as causalidades desse processo podem ser entendidas por uma breve análise da escassez majoritária quanto à abordagem e ao cuidado que as instituições escolares oferecem em apoio às pautas psicológicas e efetivas dos alunos, dificultando a construção de formas para lidar com a felicidade no cotidiano coercitivo. O filósofo iluminista, Immanuel Kant, já arrazoava sobre o valor basal da educação na emancipação do indivíduo e de seu pensamento crítico. Sob esse viés, por meio do sistema educacional, pode-se fomentar nos futuros cidadãos uma ideologia que valorize hábitos fundamentais que sejam capazes de sustentar um bem-estar duradouro e pleno, porque, dessa forma, quando as novas tecnologias, como as redes sociais, se provarem prejudiciais à qualidade de vida, aqueles instruídos pedagogicamente estarão preparados para rejeitar a noção de felicidade perpassada no contexto digital, buscando, então, verdadeira satisfação pessoal. Exemplo da relevância em rever o insuficiente suporte educacional é uma pesquisa divulgado no livro “iGen”, da psicóloga Jean Twenge, revelando a crescente queda na felicidade dos adolescentes, desde a época em que a maioria passou a portar celulares inteligentes, em 2012, e que quanto mais tempo passavam dedicados a atividades que envolviam uma tela como suporte, mais infelizes eram. Nesse sentido, o desenvolvimento de atividades que estimulem a satisfação pessoal, sem intermédios tecnológicos, nos ambiente educacionais, deduz-se como imprescindível à mitigação da infelicidade por evoluir alicerces de reação.


É evidente, portanto, que o Estado, como defensor dos direitos da população e do bem estar social, deve proporcionar aos indivíduos, em prol do desenvolvimento social, uma satisfação pessoal mais convicta de si, para que superem as intempéries da vida sem se abaterem pelo ideal de regozijo proposto pelos meios digitais. Sob esse prisma, cabe ao Ministério da Educação, por meio de inclusão de aulas sobre saúde mental e física nas escolas, estimular com que o corpo discente seja instruído sobre como atingir indenidade psicológica, com o fito de desenvolver a capacidade das futuras gerações de identificar as causas de suas chagas emocionais e as coibir. Consoante com o intuito proposto pelo Dalai Lama, a sociedade estará munida de um conhecimento profícuo para motivar uma disposição mental propícia ao bem-estar, estimulando os fatores que causam a felicidade, sem a necessidade de invocar valores intimidadores e ininteligíveis. Talvez, assim, seja possível reverter o panorama de crescente descontentamento, para que todo o corpo social encontre a satisfação que procura.

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