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REAPLICAÇÃO ENEM 2020: A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

                                    Escassez de empatia na contemporaneidade


         Hoje em dia, a harmonia nas relações sociais encontra-se à míngua. O egoísmo, ao lado do orgulho, da insensibilidade, da incompreensão do outro, da instabilidade nos relacionamentos e, principalmente, do preconceito, corroboram com esse quadro. Como consequências negativas da falta de empatia, tem-se bolha de isolamento, indiferença e superficialidade. Inquestionavelmente, o resultado desse distúrbio guia para uma ampliação dos crimes de ódio. Com o intuito de remediar essa situação, precisa-se defrontar o egoísmo e o preconceito.
        Antes de tudo, o egoísmo é tido como o oposto da empatia. Esse amor exagerado aos próprios interesses a despeito de outrem leva a um individualismo descomedido. Esse egocentrismo é notado, com consequências catastróficas, no vigente ambiente pandêmico, em que as pessoas se recusam a utilizar máscaras em virtude das crenças e das idolatrias estimuladas pelas redes sociais. Nesse sentido, um estudo sobre o perfil psicológico desses brasileiros que se opõem ao uso de máscaras, executado entre março a junho de 2020, foi publicado pela revista “Personality and individual differences”. As principais constatações da pesquisa foram: níveis altos de insensibilidade, tendência ao engano e autoegano e comportamentos de riscos, mas ao contrário do que se esperava, a empatia foi a variável com o menor grau correlação a essa conduta, ou seja, nesse caso o egoísmo não era precisamente sua antagônica. Dessa maneira, essa particularidade estava mais relacionada ao comportamento antissocial.
         De maneira idêntica, o preconceito é altamente danoso para a sociedade, fomentando violência e criminalidade, ocorrências essas testemunhadas pelos brasileiros no cotidiano. O pré-julgamento cristalizado na mente dos cidadãos compromete, sobremaneira, a integridade física e emocional das pessoas, algumas vezes de maneira irreversível. Esse fato pode ser inegavelmente percebido no alarmante aumento do número de feminicídio no Brasil na época presente. Só para exemplificar, em uma reportagem no jornal “Estado de Minas”, a mais alta autoridade do país prometeu em um discurso a seus apoiadores a urgência de um projeto pautando a ideologia de gênero. Como sequela, muitos de seus seguidores sentiram-se legitimados a dar continuação a esse comportamento deletério pela ausência da crença de culpabilidade.
       Diante de tudo isso, o Governo Federal, alinhado com as esferas municipais e estaduais, em companhia da iniciativa privada, deve promover uma intensa campanha de orientação e conscientização sobre a temática empatia aliada à inteligência emocional nos veículos de comunicação em massa. Além disso, é interessante aliar uma agenda baseada em uma forte inserção nas redes sociais, em razão do alcance e do poder de persuasão, conseguindo, assim, uma melhora nas relações interpessoais, além de uma redução considerável dos crimes de ódio. É também esperada uma elevação da produtividade no trabalho no meio corporativo. Esses prováveis resultados tendem a ser atingidos em um curto período. De tal modo, ficaremos mais humanos.

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