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Racismo Velado

No período colonial, o Brasil foi o país que mais recebeu escravos e, posteriormente, o último do ocidente a abolir a escravidão sem que houvesse nenhuma ação de integração desses à sociedade. Como resultado, a relação histórica de superioridade racial do branco foi naturalizada no contexto hodierno, permitindo que o preconceito e a opressão sofrida pelos negros ocorram de forma velada e, de certa forma, institucionalizada. Dessa maneira, cabe analisar como a mídia e a ausência da representatividade nesse meio corroboram para a persistência do racismo na sociedade.


Em primeiro plano, é imprescindível notar o estereótipo do negro na indústria midiática. Segundo o conceito de “violência simbólica” do sociólogo Pierre Bourdieu, há a imposição de reconhecimento e legitimidade de uma única cultura pela mídia e, dessa forma, as outras são menorizadas. Assim, é comum notar em novelas e filmes a representação do negro como subordinado e inferior, demonstrando os valores preconceituosos e limitantes atribuídos à essa população pela sociedade que tenta abafar e silenciar a opressão e o racismo no cotidiano.


Outrossim, é válido destacar a importância da representatividade visando a diminuição da discriminação racial. A produtora Marvel, por exemplo, lançou o filme “Pantera Negra” em que a grande maioria dos personagens, inclusive os protagonistas, são negros. Esse tipo de representação é imprescindível para quebrar os padrões de cultura e beleza de uma sociedade que é essencialmente eurocêntrica e excludente, assim como para diminuir os problemas psicológicos dessa população que sofre com a baixa autoestima e aceitação devido ao racismo velado no corpo social.


Torna-se evidente, portanto, a necessidade de conjugação do poder governamental e da esfera midiática à atenuação desse preconceito. O primeiro, por meio de verbas governamentais, deve realizar palestras nas escolas ministradas por antropólogos e psicólogos objetivando a desconstrução do ideário discriminatório oriundo da colonização e, ainda, demonstrar em como esse fato afeta os jovens e adultos negros. Ademais, é dever da mídia representar os negros nas novelas e filmes de modo a promover sua visibilidade em posições outrora incomuns, como a de super-heróis, com o fito de romper a concepção limitante atribuída a essa população. Só assim, será possível a criação de cidadãos aptos a desconstruírem com os preconceitos que perduram de maneira velada desde o século XVI.

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