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Questão 2º Fase Olimpíada Sapientia

ALUNA:Laysa Maria Lacerda Oliveira Nascimento


Um país tropical- e omisso


 


O autor judeu-austríaco Stefan Zweig colocou, em sua obra homônima, que o Brasil é um país do futuro. No entanto, ao analisar o panorama da preservação da flora e, consequentemente, da fauna tupiniquim, nota-se que o “futuro” é colocado em segundo plano, já que o que observa-se é a constante omissão para com conceitos como desenvolvimento sustentável e ferramentas de preservação da natureza, fato que compromete o abastecimento de futuras gerações. Logo, convém analisar, localizar e mitigar possíveis ônus ocasionados pelo descaso.


A priori, deve-se salientar que mesmo sendo conhecido como o país mais verde da América Latina, o Brasil enfrenta a contradição de conter 2118 espécies de plantas em risco de extinção e 303 espécies animais ameaçadas, que segundo o IBGE estão em vias de desaparecer principalmente pela destruição dos seus habitats. Destruição essa que pode ser traduzida pelos 20 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa desmatados todos os anos. Nesse ponto, a Amazônia é uma triste referência, a saber dos dados do PRODES( Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), cujo registro do maior aumento do desmatamento na Amazônia em 10 anos alerta para uma realidade onde cada vez mais o uso desenfreado dos recursos naturais suplanta a necessidade da preservação ambiental.


A posteriori, a preservação da flora nos centros urbanos em solo verde-amarelo ainda deixa muito desejar. Lixiviação, enchentes, ilhas de calor, inversão térmica e poluição atmosférica se fazem comuns nas grandes metrópoles do país, onde a população acostuma-se com incidência de doenças cardiorrespiratórias. Esse ônus, é em grande parte causado pela falta de planejamento urbano e disposição de espaço naturais no brasil, que transformam as grandes cidades em verdadeiras “selvas de pedra”, onde os espaços verdes quando não inexistentes, são isolados.  Apesar disso, projetos que visam a arborização já podem ser encontrados no Distrito Federal e em São Paulo, sendo que essa última ao ser comparada em relação a cobertura verde com cidade como Nova York e Tel Aviv pelos pesquisadores da MIT Senseable City Lab, de Cambridge, amargou a posição de cidade onde menos se encontravam tais coberturas, urgindo a emergência da multiplicação e fortalecimento de prejetos que visem tal área.


Ademais, a caatinga, região historicamente esquecida deve fazer parte das discussões, principalmente no que se refere à problemática de sua desertificação. Segundo o Lapis(Laboratório de Processamento de Imagens de Satélite), 93,7%  do território do estado da Paraíba já se encontra em processo de desertificação, revelando a necessidade de que as atenções se voltem para tal região, que carrega consigo o título de “primeiro Brasil” e também uma flora e fauna típica e espetacular, com plantas e animais que mantêm relações biológicas de suma importância para o equilíbrio da biosfera. A agricultura mostra-se como agravador desse processo, pois práticas como queimadas para o reuso do solo ameaçam ecossistemas inteiros e colocam em risco a sobrevivência do bioma. O paradoxo é que essa mesma prática também gera dano a própria agricultura, pois o solo cada vez mais pobre torna-se inviável para o cultivo, fazendo com que o homem do campo migre para outras terras, aumentando os danos. Outrossim, a latente desigualdade social da região e a falta de instrução ajudam a perpetuar práticas danosas ao meio ambiente, que atingem não só os residentes, mas também todos os brasileiros. Mesmo assim, as ações governamentais, apesar de terem avançado, ainda são ineficazes, pois ainda não atingiram o âmago da população. Assim, se a desertificação dessa região se concretizar, perde-se não só mais uma área de cultivo, mas também a magnificência das plantas ali encontradas, a diversidade da fauna que é imensa e o meio de sobrevivência de milhares de famílias, que sem apoio dos Três Poderes, seriam relegadas a intensificar o processo de suburbanização.


Portanto, é de suma importância que se reconheça a importância da caatinga, almejando práticas para evitar sua desertificação. Em primeiro plano, o governo emerge como agente facilitador da difusão de informações de práticas agrícolas, criando programas e incentivos que atendam e instruam as populações que vivem do campo a adotarem técnicas em cadência à natureza, como a rotação de culturas, instruindo também a adoção de adubos orgânicos frente aos agrotóxicos, evitando a “morte” dos solos e a destruição de uma importante fonte de vida. Mídia e corpo social urgem como veículos da importância histórica, biológica e cultural da caatinga, incentivando a criação de parques de preservação e da prática do turismo ecológico, movimentando a economia regional e fomentando a exclusão e o preconceito para com a região. Desse modo, alcançar-se-á a resolução da problemática,o Brasil de Zweig e o brasileiro terá em mente o ditado indigena: "Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da Terra"


 

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