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Preconceito linguístico

Na obra ?Triste fim de Policarpo Quaresma?, o personagem principal defende a utilização do tupi como língua oficial do Brasil. Fora do contexto literário, entretanto, ainda existe no país uma forte resistência à linguagem que foge da norma culta brasileira, sendo constantemente taxada como inferior ou errada. Fatores de ordem educacional, bem como econômica, caracterizam o latente preconceito linguístico vigente entre os brasileiros.
É importante pontuar, de início, a negligência acadêmica acerca da diversidade da língua no país. À guisa do pensamento kantiano, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele, as escola brasileiras, porém, falham nesse processo de formação humana. O foco prioritário dado à historiografia europeia, em detrimento das demais culturas que compõe o Brasil, fomenta um comportamento discriminatório quanto às manifestações linguísticas que diferem da praticada em Portugal. Esse fenômeno é ratificado pela noção comum de que o português do Maranhão é o melhor do país, exclusivamente por se assemelhar do linguajar europeu.
Outrossim, tem-se a norma culta como um instrumento de prestígio e ascensão social. Dadas as diferenças existentes entre as classes econômicas brasileiras, a língua passou a ser símbolo de exclusão, já que a linguagem daqueles de menor condição financeira é inferiorizada e discriminada nos mais diversos ambientes. Tal fator foi observado no episódio em que um médico debochou de um paciente pela forma como este pronunciava determinadas palavras, expondo a persistência de uma visão preconceituosa sobre as diferenças linguísticas no país.
É notória, portanto, a relevância de fatores educacionais e econômicos na problemática supracitada. Nesse viés, as escolas, em consonância com a mídia, devem propagar a importância do respeito à diversidade linguística. A ideia da medida é, a partir de palestras e debates nas salas de aula, além de telenovelas e propagandas educativas que abordem o assunto, construir uma consciência coletiva de valorização às variadas linguagens brasileiras. Paralelamente, cabe ao Governo, por intermédio dos órgãos da área, coibir o preconceito linguístico no país. Esse projeto deve contar com a instituição de medidas socioeducativa aos intolerantes, visando minimizar esse comportamento desviante e consolidar uma sociedade mais harmônica e coesa. Por fim, as ONGs da área, em parceria com a população, devem desconstruir os ideais de superioridade de determinadas linguagens, por meio de campanhas nas ruas e na internet, a fim de que a discriminação linguística no Brasil seja reduzida.
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