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Preconceito linguístico


A língua como fator de segregação


Em toda civilização, a língua se apresenta como um processo fluído e dinâmico que acaba se diferenciando em seus detalhes, com diversos modos de se falar um mesmo idioma; O exemplo mais próximo do fato pode ser observado no idioma português que, levado de Portugal às suas colônias, com o passar do tempo e, ao receber influências regionais acabou por recriar-se, sem deixar de ser o mesmo idioma português de Portugal, porém, com nuances próprias em cada país, colônias de outrora. No entanto, observa-se que o preconceito linguístico, conotação pejorativa de um indivíduo com base no modo de se falar, mesmo que injustificado pelas características essenciais da língua é uma realidade.
Nesse contexto, o problema surge quando, com base em categorizações que buscam estereotipar o modo se falar de uma determinada região em detrimento de outras que falam o mesmo idioma, abre-se margem ao empobrecimento cultural do idioma como um todo, ou em casos mais drásticos, para a xenofobia; No Brasil, diversos movimentos artísticos buscaram, entretanto, se desvincular do reducionismo cultural proveniente do preconceito linguístico, muitas vezes incorporando a língua como fator identificador da cultura retratada e, observa-se isso claramente em Monteiro Lobato, com seu Jeca Tatu, em que, para retratar o caipira, são adotados também as expressões típicas do personagem reproduzido, um linguajar rural, com sotaques distantes do falar urbano.
Em todo caso, embora existam movimentos que defendam a língua como fator de identificação, como apresentou o modernismo brasileiro em sua fase construtivista, defendendo o regionalismo, seus costumes e por consequência, seus modos de se expressar a língua portuguesa ou como Adoniran Barbosa, que costumava compor suas canções se utilizando de expressões típicas do urbano periférico, o preconceito linguístico segue em plena forma e o principal motivo pelo qual esse mal ainda é tão presente na realidade do brasileiro deve-se principalmente ao fato de que para o senso comum, a língua não é um traço cultural, mas um indicador de civilidade, fato mais do que evidente ao se deparar com o relato de imigrantes nordestinos que ao chegarem nos grandes centros metropolitanos do país, não raro, são classificados como subalternos, devido aos seus sotaques.
Diante da problemática apresentada, torna-se fundamental para o ministério da educação em correlação ao ministério da cultura, utilizando a mídia e as escolas como mecanismo de divulgação, delinear políticas que valorizem não somente a língua em sua forma culta, mas a riqueza que no Brasil, a língua popular, a língua regional adquiriram e continuamente adquirem ao serem o que são por natureza, dinâmicas. Ainda de modo a contribuir para unificação da língua portuguesa no Brasil e sua valorização como um todo, principalmente levando em conta o caráter cultural do idioma, o incentivo a troca de experiências entre os alunos regiões diversas do país, através de exposições culturais, eventos comuns a todas as regiões, são iniciativas que tendem a extirpar o preconceito linguístico no país.
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