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Preconceito linguístico

 O “Modernismo”, movimento literário que marcou o Brasil na primeira metade do século XX, defendia que as variedades linguísticas, sejam elas regionais, sociais ou históricas fossem valorizadas em suas obras e perante a sociedade. No entanto, décadas se passaram e o desejo de autores como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, infelizmente, ainda não se materializou o que dá lugar a um dos problemas mais graves do nosso país: o preconceito linguístico. Dessa forma, tanto os processos históricos quanto os midiáticos se destacam como fatores atrelados a essa terrível problemática.


Diante desse cenário, é necessário analisar as raízes do problema em questão. À esse respeito, no início da colonização brasileira, os jesuítas -padres que pertenciam à Companhia de Jesus-foram enviados ao Brasil com um propósito ”civilizatório”, impondo os moldes e padrões portugueses, principalmente quanto a língua, aos indígenas, de maneira que, à partir desse momento criou-se a ideia de um modo de falar superior e a discriminação de quaisquer linguajar que destoasse dele. Sob esse viés, o preconceito linguístico representa uma das imposições iniciadas no período colonial e que se perpetua no cotidiano de homens e mulheres, mesmo após centenas de evolução nacional. Logo, é paradoxal que um país que tanto almeja o desenvolvimento, como o Brasil, ainda sustente preconceitos históricos.


Ademais, o filósofo Mikhail Bakhilin ensina em sua obra “Carnavalização da Sociedade”, que o riso é uma forma de desconstruir um grupo marginalizado e incentivar a discriminação. Nesse contexto, sob pretexto de entretenimento, a mídia brasileira costuma ridicularizar com crueldade os falares sociais e regionais de baixos prestígio, a exemplo da pronúncia de indivíduos do Nordeste, o que colabora para opressão da linguagem e manifesta, na prática, a carnavalização descrita por Bakhilin. Desse modo, enquanto os estereótipos se mantiverem, o país será obrigado a conviver com um dos mais sérios problemas para o Estado Democrático: a exclusão linguística.


Há de se buscar, portanto, alternativas para que todas as diferenças da língua brasileira sejam respeitadas. Cabe, pois, ao Ministério da Educação, haja vista seu papel de transformação social, elaborar um plano político pedagógico que inclua no cotidiano das escolas públicas e privadas, o ensino das variedades linguísticas presentes no imenso território brasileiro e sua devida valorização, por meio da discussão e de atividades lúdicas e ilustrativas nas aulas de ciências humanas e linguagem, a fim de desconstruir preconceitos historicamente enraizados e perpetuados, cruelmente, pela mídia e por amplos setores da sociedade. Assim, será possível que, paulatinamente, a aspiração dos artistas modernistas seja, enfim, concretizada.

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