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Preconceito linguístico

 Na obra infantil “Turma da Mônica”, do autor Maurício de Souza, é possível notar variações linguísticas ao analisar personagens como o Cebolinha, que substitui a letra “R" pela “L" ao se expressar. Analogamente, fora da ficção, observa-se diferentes traços linguísticos em todo território brasileiro. Entretanto, relativo ao preconceito linguístico no Brasil, vivencia-se no âmbito atual uma conjuntura diferente do inclusivo desenho animado, uma vez que, atualmente, presencia-se a exclusão social decorrente da hibridização do léxico português.
 Vale evidenciar, primeiramente que, no século XVI, junto aos colonizadores lusitanos, chegou ao Brasil o padre José de Anchieta, o qual, visando converter os indígenas à fé cristã, estudou o Tupi-guarani a fim de misturar as distintas línguas e, dessa forma, facilitar a compreensão dos nativos. Em consonância a isso, a chegada dos africanos, por meio do infeliz tráfico negreiro, possibilitou, ainda mais, o enriquecimento do léxico brasileiro. Dessa forma, pode-se concluir que há abundância não só de variações diatópicas, mas também de diferenciações diastráticas na língua portuguesa, haja vista que a colonização das regiões ocorreu de maneira heterogênea e dividiu a sociedade, com as desiguais oportunidades, em classes sociais.
 Como consequência dessa hibridização, as classes mais escolarizadas utilizam o conhecimento da gramática normativa como instrumento de distinção da parcela da população menos culta, segundo o linguista Marcos Bagno. Com isso, o cenário preconceituoso hodierno torna-se inóspito aos indivíduos com menor grau de escolaridade, ocasionando, assim, a segregação social- evidenciada como uma característica da sociedade brasileira, pelo autor Sérgio Buarque de Holanda, no livro “Raízes do Brasil”.
 Entende-se, portanto, que o preconceito linguístico no Brasil nega as raízes históricas da nação e gera um ambiente segregacionista. Para que haja inclusão das diversas formas de discurso, urge que o Ministério da Educação reestruture a grade curricular do ensino fundamental e médio, focando-a nas diferenciações lexicais brasileiras e suas origens, por meio de especialistas e historiadores, conscientizando, dessa maneira, o indivíduo desde a infância.

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