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Preconceito linguístico

   Para o renomado linguísta Carlos Bagno, desde que haja comunicação não há erro. A máxima de Carlos, vai de encontro com o cenário preconceituoso do Brasil conteporâneo, já que, os dialetos regionais e os registros coloquias são considerados equívocos, em qualquer contexto do diálogo. Evidencia-se, portanto, o urgente esclarecimento a respeito do gramaticalmente aceitável em situações formais, além do corretamente expressado em conversas informais.


   Primeiramente, há supressão de sotaques em telejornais, mesmo nas regiões em que esse é apresentado. Isso ocorre porque nota-se uma tendência fonodióloga de singularizar o linguajar jornalístico com os de apresentadores do sudeste. Dessa forma, infere-se o preconceito da produção e edição, pois desistimula o jornalista a falar conforme suas tradições locais. Tal injustiça foi comprovada com a repórter Renata Alves. Ela é a única que resiste em falar com seu sotaque sergipano nas reportagens da Record. Essa atitude elogiável, porém, foi julgada por um internauta. Para ele, a profissional deveria deixar de falar´´feio´´. Logo, infelizmente, é notório que os diferentes falares ainda são menosprezados injustamente. 


    Ademais, com o advento da internet, os discursos são desnecessariamente ridicularizados nas redes sociais. Isso ocorre por causa da falha na adequação de regras gramaticais, visto que, na língua portuguesa não existe o certo e o errado, no entanto, o mais adequado para cada situação comunicativa. Tal inadequação interpretativa viralizou  quando o médico Guilherme Capel compartilhou, em tom de deboche, a expressão ´´penolomia´´, dita por uma paciente analfabeta. Nisso, é  nítido o preconceito causado pela indiferença e desrespeito pelo diversificado propósito comunicativo dos mais humildes.


     Diante de tamanha problemática, cabe ao Ministério da Comunicação criar o Programa Fala Brasil. Nele, os jornalistas terão espaço para falarem seus sotaques regionais, por meio de comerciais do Governo Federal e propagandas que combatam o preconceito linguístico, a fim de que as diferentes formas de discursos sejam respeitadas em todo o território. Só assim, a afirmação de Carlos Bagno fará parte do contexto linguístico brasileiro.

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