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Preconceito linguístico

A princípio, no Brasil, devido a sua formação sócio-cultural pela miscigenação de diversos povos, a Língua Portuguesa apresenta diversas particularidades no contexto regional, etário, social e histórico. Embora tal fato seja típico na realidade brasileira, o preconceito linguístico é muito evidente e, por isso, é preciso entender que há diversas variantes na linguagem, e uma não deveria ser mais prestigiada em relação às demais.
Conforme defendido pelo escritor Marcos Bagno, a descriminação com base no modo de falar é encarada com muita naturalidade na sociedade brasileira. Nesse ínterim, é válido mencionar o preconceito linguístico como uma face do preconceito social que perdura no Brasil há anos, visto que formulada por uma classe dominante do país, o conhecimento da gramática tem sido usado como instrumento de distinção e dominação. Por conseguinte, em especial no cenário escolar, a noção de falar "certo" ou "errado" imposta hodiernamente, apresenta-se como agravante, uma vez que as vítimas desse preconceito, jazem os seus dias condicionados a uma realidade inferior e submissa por não serem considerados dominantes da "linguagem certa".
Por certo, tal empecilho provém da ignorância , em que esta é passada hereditariamente, fugindo abertamente de todos os princípios éticos e humanitários. Ademais, a carência de discussões ligadas ao combate desse tipo de intolerância faz com que acentue-se ainda mais a desigualdade social no país, pois a língua tem relação direta na estrutura de valores sociais, e os falantes da língua culta são aqueles que possuem um maior nível de escolaridade e poder aquisitivo, o que acarreta aos descriminados problemas de sociabilidade.
Em suma, é notória a necessidade de medidas para amenizar o impasse, tendo premissa de que a língua é um fator decisivo na exclusão social. O Ministério da Educação deve reformular a composição da matriz curricular da disciplina de língua portuguesa nas instituições de ensino, em que será acrescentado o ensinamento das variantes linguísticas, partindo dos princípios éticos e históricos, com a finalidade de formar cidadãos tolerantes e inclusivos. Segundo Helen Keller, o resultado mais sublime da educação é a tolerância. Assim sendo, a mídia deve parar de estereotipar os personagens de acordo com sua maneira de falar e poderia investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico , atingindo diversos públicos, formando uma sociedade poliglota em sua própria língua.
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