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Preconceito linguístico

"Asa Branca" é uma canção de autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, nela percebe-se o emprego de palavras características do nordeste brasileiro, expondo as diferenças linguísticas existentes dentre um mesmo idioma. Conquanto, inusitadamente, parte do corpo social haje de forma discriminatória perante grupos de menor prestígio social por apresentarem variações e particularidades linguísticas regionais. Diante dessa perspectiva, convém analisar os fatores que favorecem esse quadro.
Em primeiro plano, é válido ressaltar, que a educação é o principal fator para o desenvolvimento pleno de um país, entretanto, o Brasil configura-se com um sistema educacional deficiente que apresenta discrepância em relação ao ensino em diferentes regiões do país, resultando em um contraste refletido no plano linguístico, o qual se adapta de acordo com as ações e níveis educacionais de uma determinada população. Ademais, há a percepção de uma posição antiquada e preconceituosa por parte de indivíduos que acreditam que a forma de proferir palavras é ferramenta de distinção social, como no livro de João de Barros "A Gramática da Língua Portuguesa" onde o autor alega que as colônias africanas, asiáticas e a brasileira barbarizam ao tentar reproduzir o modo de falar e escrever dos colonos portugueses, do mesmo modo, no caso noticiado no portal G1 em que um médico debocha de um paciente na internet por conta de seu modo de falar.
Faz-se mister, ainda, salientar que o modo como a fala de moradores de determinados regiões é retratada nas novelas é propositalmente errônea para provocar o escárnio dos demais personagens e do espectador, marginalizando e excluindo os falantes representados. À vista disso, o escritor Marcos Bagno discorre, que os preconceitos impregnam-se de tal maneira na mentalidade das pessoas que as atitudes preconceituosas se tornam parte integrante do modo de ser e de estar no mundo. Destarte, compreende-se, que a manutenção da discriminação linguística está atrelada a uma sociedade provida de mecanismos que constituem o preconceito, acreditando na existência de hierarquia no modo de se comunicar.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para resolver a problemática. De maneira prioritária, é atribuição do Estado o efetivo cumprimento do Art. 205 da Constituição Federal, com liberação de verbas e parceiras entre estados e municípios para a construção e manutenção de escolas, simultaneamente com valorização do professor, promovendo assim, uma educação de qualidade sem diferenças regionais, com escolas capacitadas para propiciar um desenvolvimento pleno da sociedade no âmbito educacional. Concomitantemente, é imprescindível que as instituições educacionais adotem medidas para conceder a instrução fundamental para o interrompimento de ações discriminatórias, podendo ser empregada por meios lúdicos, como peças teatrais, jogos de vocabulário, gramatical e expressão oral que tragam o preceito de que as variações linguísticas são de valor cultural e devem ser respeitadas, ficando sob responsabilidade do corpo das instituições.
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