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Preconceito linguístico

" Dê-me um cigarro/Diz a gramática...Deixa disso camarada/ Me da um cigarro". Esse trecho do poema " Pronominais" de Oswald de Andrad, reflete sobre a importância da redução do perímetro entre o o modo de falar "certo" ou "errado", por meio da valorização em seus versos da linguagem popular. Contudo, grande parcela da sociedade, principalmente, aqueles com menor prestígio social, são vítimas do preconceito linguístico, através do julgamento depreciativo e até humilhante, contra determinadas variantes linguísticas. Logo, urge a união do 1° setor e das grandes mídias, para solucionar essa problemática.

Antes de tudo, é imprescindível destacar, que o artigo 5° da Constituição Brasileira de, 1988, garante o direito à vida, à liberdade e à igualdade. No entanto, a prática deturpa a teoria, uma vez que, ainda, discute-se pouco sobre o preconceito linguístico, seja ele mediante as gírias, sotaques ou dialetos, seja através dos erros gramaticais no pronunciamento das palavras na escrita ou no ato do diálogo. Isso pode ser percebido no personagem Cebolinha da Turma da Mônica que é " zombado" pelos seus colegas, por falar palavras erradas. Ato, esse, não raro na sociedade hodierna.

Ademais, o sociólogo Pierre Bourdieu, desenvolveu o conceito de " Violência simbólica", para questionar como as classes dominadas são vítimas do preconceito simbólico e nem ao menos percebem, haja vista possuírem consciência que existe um modo de falar considerado "bonito" ," culto", mas não têm acesso à essa formalidade. Dessa maneira, é necessária a desconstrução da norma culta e padrão, ser a única considerada certa e, por conseguinte, digna de ser respeitada. Sob esse viés, a música da banda Teatro Mágico, " Sintaxe à vontade", ironiza essa idealização da língua, afinal- todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser.

Diante do exposto, é indubitável, a existência do preconceito linguístico no Brasil, principalmente, vinculado à população com menor prestígio social. Por isso, faz-se, necessário, que a LOA( Lei Orçamentária Anual), direcione capital, que por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na promoção de ações educativas nas escolas, por meio de palestras, ministradas por mestre e doutores( no estudo das variantes linguísticas), com vistas à desconstrução do preconceito linguístico. Paralelamente a LOA, deve prover verbas, para as grandes mídias (tevê, rádio, internet), na qual, através de campanhas educativas e de cunho social, mostre sob a ótica de pessoas que já vivenciaram o preconceito linguístico, como, essa mazela, ainda está presente. Dessa forma, o direito à igualdade e à liberdade será validado, e as vítimas dessa temática diminuirão exponencialmente.
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