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Preconceito linguístico
Em "Jeca Tatu", obra de Monteiro Lobato, o protagonista que dá nome ao livro é uma construção caricata do homem campesino, representação do atraso que convencionou-se associar ao falar caipira. Nesse sentido, é perceptível, ainda na atualidade, a difusão de tais estereótipos pejorativos, os quais devem ser desestruturados, para que, superando a exclusão ocasionada pelo desconhecimento, haja respeito quanto ao falar diverso do povo brasileiro.
Em primeiro lugar, convém analisar a importância do campo linguístico, a fim de que se percebam as incoerências e mazelas da exclusão. De acordo com o psicólogo e pesquisador Vygotsky, a linguagem é o fator que concede ao homem a possibilidade de compreender e interpretar o mundo ao seu redor. Nessa perspectiva, privar indivíduos da expressão pessoal, baseado somente em uma visão purista da língua, é lhes cercear a criticidade e a própria manifestação de suas particularidades.
Ademais, cabe destacar o caráter cultural do falar, sobre o qual há desconhecimento e pouco interesse, elementos que fomentam as atitudes discriminatórias. Consoante ao filósofo e linguista Saussure, a fala não pode ser entendida como estática ou única, uma vez que é ela um ente vivo, transformado constantemente pelas interações sociais. Nesse ínterim, a esfera de valores e formações distintas peculiares ao Brasil torna, também, nossa língua móbil e diversa, condição enriquecedora que, oposto ao que se vê hodiernamente, deve ser valorizada.
Torna-se evidente, portanto, a relevância de coibir as tendências discriminatórias relativas às diferenças linguísticas. Cabe às universidades e escolas, enquanto formadoras cidadãs, promover e expandir tais discussões. Para tanto, devem ser realizados, no currículo da disciplina de Língua Portuguesa, planejamentos voltados para o estudo mais aprofundado da variabilidade linguística. Outrossim, na seara social, a Antropologia pode colaborar com explicações e debates acerca da notável formação cultural brasileira e a importância de suas variantes para nossa identidade. Nesse ínterim, podem ser realizadas oficinas de leitura e encenação de manifestações artísticas regionais, que demonstrem o valor do diferente. Dessarte, será tangível, pelo saber, dissipar os pressupostos arraigados que segregam e rotulam inúmeros "Jecas" na atualidade.
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