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Pós-verdade

 


   Os sofistas, pensadores da Grécia Antiga, marcaram-se na história como “mestres da persuasão”, uma vez que realizavam discursos repletos de técnicas para transformar qualquer argumento em uma verdade incontestável. De maneira semelhante, a falta de compromisso com a veracidade na vinculação de informações e o forte apelo às emoções e crenças para convencer o público-alvo, caracterizam um grave problema a ser enfrentado no Brasil atual: a pós-verdade. Nesse sentido, lacunas no processo educacional do povo brasileiro e o baixo controle das redes sociais contribuem para a manutenção desse empasse. 


   Primeiramente, é importante analisar que o sistema educacional do país não fornece instrução específica que ensine os indivíduos a checar a autenticidade da mensagem lida. Sob esta ótica, o Instituto Trust Barometer afirma que 65% dos brasileiros não sabem diferenciar boatos de notícias sérias. Dessa forma, a nação verde e amarela torna-se mais suscetível a manipulação, tal como em 1932, quando Getúlio Vargas instaurou a ditadura do Estado Novo a partir do “Plano Cohen” - um documento falso disseminado pelo governo que trazia um plano de tomada do poder pelos comunistas. Assim, é inegável que a sociedade acaba fragilizada nessa conjuntura, principalmente em períodos de polarização política, ficando suscetível a processos de dominação que extinguem seu direito de acesso à informações fidedignas. 


   Além disso, as redes sociais ainda não contam com um total controle dos materiais que circulam em seus canais, de modo que há uma grande liberdade para publicação de notícias falsas e tendenciosas. Nesse ponto de vista, tal libertinagem é extremamente preocupante, uma vez que, de acordo com o Instituto Reuters, 72% dos brasileiros utilizam as redes sociais para se informar diariamente. Consequentemente, associado, ainda, as lacunas educacionais, teorias conspiratórias (como a terra plana e o nazismo de esquerda) ganham força e aumentam o descrédito a ciência; além de ser facilitado, também,  o julgamento social e a prática de linchamentos- como no caso da mulher paulista que foi assassinada por moradores de São Paulo após boatos divulgados em redes sociais de que ela praticava “magia negra” com crianças. 


  Portanto, haja vista a integridade do povo brasileiro e com a finalidade de extinguirem-se falsas informações, é importante que o o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, implante nas escolas de todo país o projeto “Brasil: um país de verdades”. Para isso, deverá ser inserida, em todas as séries, a disciplina de “verificação e interpretação”, por meio da alteração das bases curriculares, levando até crianças e adolescentes a instrução para checagem dos fatos e estímulo a prática da leitura, afim de desenvolver a interpretação, inclusive nas redes sociais. Dessa maneira, os “sofistas” atuais perderão força e ficarão, de fato, apenas na história antiga. 

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