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Pós-verdade

O personagem Chicó, da obra "O auto da compadecida" de Ariano Suassuna, é caracterizado por contar histórias fantasiosas e, após cada mentira, diante da incredulidade do público, dizia apenas "não sei, só sei que foi assim".Essa incapacidade de comprovar a veracidade de suas narrativas, serve como uma metáfora em relação à crescente onda da pós-verdade no Brasil, uma vez que são tidas como fato sem qualquer análise ou contestação.Essa situação é resultado inegável de uma estrutura antiética dos veículos de comunicação.Soma-se a isso a fragilidade do ensino formal e o sensacionalismo midiático.
Diante desse cenário, é importante perceber que o fraco papel da escola, aliado à estrutura antiética dos veículos de comunicação, contribui para a era da pós-verdade no Brasil.Esse panorama ocorre por conta do sistema educacional perpetuar uma visão conteudista e tecnicista, que não abre espaço para debates essenciais para a postura crítica e reflexiva dos indivíduos frente às notícias falsas.Assim, é possível fazer um paralelo com a afirmação do filósofo Immanuel Kant, para quem "O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele", visto que sem a colaboração da educação no processo crítico individual, o tecido social não será capaz de combater as notícias falsas.
Além disso, o sensacionalismo midiático, somado a falta de ética desse veículo, solidifica a era da pós-verdade.Isso ocorre em virtude da extrema necessidade dos veículos midiáticos em ampliar o mercado consumidor, exercendo assim, a produção excessiva de matérias mirabolantes, diante de uma sociedade de valores líquidos, para aumentar a circulação de notícias que geram lucros.Essa situação tem se aprofundado por uma contemporaneidade de valores líquidos, como proposta por Zygmunt Bauman. Afinal, se já imperava nas interações sociais uma falta de referência na checagem de informações verdadeiras enquanto necessidade humana, esse quadro agravou-se com o aceleramento do cotidiano e a liquidez dos conceitos políticos e sociais em contante alternância.
Diante do exposto, percebe-se que o principal responsável pela pós-verdade é a estrutura midiática antiética.Assim, o Governo Federal, em conjunto à seus Órgãos e Ministérios, deverá criar um Programa Nacional de Combate ás Alienações Midiáticas, e com o Ministério Público Federal exigir que os veículos de comunicação garantam à sociedade uma pluralidade de fontes, vozes e ângulos sobre uma mesma problemática.Junto a esse Projeto, poderá propor ao Congresso, aliado ao Ministério da Educação, a alteração das Diretrizes Curriculares Nacionais para a preparação de uma cultura que busque por diferentes narrativas para o mesmo fato, por meio do incentivo à leitura tornando-a disciplina do Ensino Fundamental e Médio.
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