O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Pós-verdade

Na contemporaneidade, a facilidade existente para o compartilhamento informacional é terreno fértil para o surgimento de factoides, notícias sem comprovação e similares. Diante dessa realidade, o conceito de pós-verdade surge para denominar oficialmente algo já intrínseco da realidade global atual, em conformidade com as análises feitas por intelectuais como o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, ao classificar a era contemporânea como fluida por natureza, em sua obra intitulada "Modernidade Líquida". Assim, filtrar informações, consultar fontes e obter verdades absolutas a partir de "meias-verdades" é um desafio para os cidadãos da atualidade.

Redes sociais, aplicativos para compartilhamento de mensagens instantâneas e portais da web já fazem parte do cotidiano dos viventes do século XXI. À luz do conceito de "efeito panóptico" trazido à tona pelo filósofo Michel Foucault em "Vigiar e Punir", caracterizado por uma constante vigilância a todos os membros sociais, é possível analisar o excesso de informações e o uso dos meios citados para sua propagação como parte de um plano de dominação das massas por parte dos detentores do poder para poder manter os menos instruídos sobre seu controle, para por meio do medo ou do êxtase manter a alienação. Assim, as estratégias já comprovadamente utilizadas para tais fins vão ao encontro do pensamento de célebres personagens históricos como Nicolau Maquiavel, que via o temor acima do amor para a perpetuação do poder do príncipe ou imperador, bem como ao pensamento do ministro da propaganda nazista Paul Joseph Goebbels, ao qual é atribuída a ideia de que "uma mentira contada mil vezes torna-se verdade", algo facilitado no tempo da comunicação desenfreada.

A própria história, mesmo em períodos anteriores ao atual, mostra o poder de boatos no cenário político de uma nação. Um exemplo disso é o Plano Cohen, boato articulado para possibilitar o golpe de Getúlio Vargas e instaurar o Estado Novo, fase ditatorial da república brasileira. Entretanto, os tempos atuais também possibilitam mais acesso a fatos e notícias verossímeis. Assim, a busca pelo equilíbrio e pelo bom uso do proporcionado ao povo é fundamental para que a verdade prevaleça sobre pós-verdades ou até mesmo as chamadas "fake news". Em um ano eleitoral como o atual, é indispensável que a dicotomia entre simpatizantes de ideologias diametralmente opostas, como conservadores e progressistas, mantenham o debate no campo das ideias e propostas, sem precisar recorrer a estratégias sujas para desmerecer o oponente. A eleição de Donald Trump, nos EUA, após jornalistas da CNN serem flagrados confessando a criação de notícias com a intenção de enfraquecer o candidato republicano, exemplifica a persistente força da verdade sobre a mentira.

Para a prevalência da verdade, é necessário que o processo de inclusão digital hoje vivido no Brasil não seja feito de forma aleatória. A liberdade de imprensa deve sempre respeitar a liberdade de expressão e ter compromisso com a verdade, e para isso, penas mais graves para jornalistas responsáveis por casos nos quais tais aspectos sejam desrespeitados devem ser propostas pelo Congresso Nacional, podendo atuar em conjunto com uma revisão do Código Penal. Além disso, para resultados a longo prazo, novos jornalistas em formação podem ser informados da responsabilidade inerente à sua profissão caso haja uma revisão da grade de ensino do curso de jornalismo e sejam apresentados casos nos quais alguém mal intencionado foi desmascarado. Caso tudo isso seja realidade, a cidadania será efetivamente real no Brasil, com toda a população tendo apenas ganhos potenciais.
Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!