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Pós-verdade

Integrante do grupo das NTCI's (Novas Tecnologias de Comunicação e Informação), a internet vem, cada vez mais, aproximando diferentes lugares por meio da troca de informações, principalmente, nos últimos dez anos. É inegável que a sua democratização trouxe inúmeros benefícios para as diversas classes sociais. Além disso, tornou-se uma forma de acesso direto do internauta à informação, assegurando o direito constitucional à liberdade de expressão, promulgado com o fim da Ditadura Militar. No entanto, a liberdade promovida com a democratização da internet passa a constituir um problema no momento em que a verdade dá lugar a dizeres falaciosos e sem fundamento, disseminando mentiras com tamanha velocidade que, muitas vezes, podem interferir seriamente na vida de várias pessoas, devido a sua exacerbada amplitude.

Nesse enfoque, é lúcido ressaltar as causas que direcionam determinado grupo a propagar inverdades na rede. Hodiernamente, é sabido que as empresas virtuais costumam lucrar com a visualização e o compartilhamento de seus conteúdos. Devido a isso, quanto mais chamativa a manchete, maior o número de acessos, configurando o chamado "clickbait". Prova disso foi um estudo realizado pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, que comprovou que 59% dos links compartilhados sequer são abertos0000 porém, são disseminados na rede devido ao seu teor sensacionalista. Essa situação se agrava mais ainda ao se refletir acerca da grande massa de brasileiros que usam a internet como fonte de notícias: 72% da população, segundo estudo do Instituto Reuters.

Convém, ainda, analisar o cunho ideológico que fundamenta a audiência do sensacionalismo. Hoje, a maioria das pessoas está em busca de algo que coincida com as suas opiniões pessoais, preferindo-as em lugar de fatos verídicos. Ademais, a forma como determinada notícia impacta a sociedade pode ser um fator decisivo nos rumos históricos, políticos, econômicos e sociais de certo contingente populacional. Exemplo disso é a influência das fake news nas eleições presidenciais estadunidenses, após inúmeros boatos acerca da candidata democrata Hillary Clinton, bem como o fenômeno do Brexit, que culminou com a saída do Reino Unido do bloco econômico da União Europeia, após os rumores da influência econômica dos refugiados que o território teria que receber. Isso tudo constitui a chamada "era da pós-verdade", na qual a opinião está muito a frente da verdade.

Frente a tais impasses, urge, por conseguinte, uma medida pública. É necessário que o Governo Federal crie uma organização de fiscalização dos portais de notícias na internet, ação que deve estar de acordo com os preceitos do Marco Civil da Internet. Para isso, os sites informativos devem receber um selo de aprovação dado pelos analistas do organismo federal, indicando que tal empresa é responsável no que tange ao compartilhamento de suas postagens. Esse selo deve ser renovado constantemente, de forma a garantir que certo portal não conta com inverdades. Com isso, ficará a cargo do internauta buscar sites publicamente reconhecidos como sérios, sabendo que tais informações podem ser confirmadas por um organismo responsável.
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