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Os impactos da pandemia na vida das mulheres

     “Vidas partidas”, filme brasileiro, conta a história de um casal recifense nos anos 80. Nesse drama, ao recuperar o posto de provedor da casa, o marido Raul passa a agredir a mulher de forma frequente e drástica. Não distante das telas, nos dias atuais, no Brasil, além da violência física, as mulheres enfrentam outros efeitos gerados pela pandemia. Em razão disso, estão perda de renda, aulas remotas dos filhos e sociedade patriarcal.  Em consequência disso, vê-se, a todo instante, feminicídio, doenças psicológicas e sobrecarga de trabalho.


     Em primeiro lugar, é notável a expressiva desigualdade de renda brasileira, e que foi agravada pela pandemia. Segundo o relatório mundial sobre salários, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho em 2020, “a perda salarial das mulheres teria sido de 8,1% em comparação com 5,4% para os homens". Sob esse viés, é fato que a diminuição da remuneração, que já era precária para a grande maioria da população, afeta, de forma crucial, a manutenção das despesas básicas da casa comandada pelo gênero feminino. Diante disso, o auxílio emergencial, para mães solteiras, reequilibrou, de algum modo, as finanças dos lares, mas o seu rompimento aprofundou mais a crise. Dessa forma, urge um novo projeto de lei para beneficiar as mulheres provedoras de famílias monoparentais.


Em segundo lugar, a sociedade patriarcal brasileira tem raízes históricas. Segundo Poullain de la Barre, filósofo Renascentista, o homem é utilizado como referencial para todas as coisas, no entanto, Poullain questionava essa tradição. Nessa perspectiva, atualmente, a centralidade masculina perdura, o que pode ser observado nas relações familiares. Esse fato foi intensificado com pandemia, em virtude das horas a mais de convivência dos casais e a divisão, desproporcional, de tarefas. Por conseguinte, há opressão feminina com ofensas verbais e físicas. Ademais, as aulas virtuais dos filhos precisam de assistência familiar. No entanto, os homens não o fazem, e as mulheres ficam mais assoberbadas. Desse modo, a postura feminista de la Barre deveria ser mais frequente entre os homens contemporâneos.


Evidencia-se, portanto, que a vida feminina durante a pandemia constitui desafios a superar. Assim, cabe ao Ministério da Economia, por meio de leis e de investimentos, com um planejamento adequado, estabelecer benefício, de forma contínua, para mulheres chefe de família. Além disso, é de suma importância capacitar servidores de segurança, de justiça e de saúde para atender as mulheres violentadas, de modo a diminuir as subnotificações. Dessa maneira, a existência feminina será mais harmoniosa e justa.

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