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Os desafios dos atletas paraolímpicos no Brasil

     Em sua obra "Cidadãos de Papel", o memorável escritor Gilberto Dimenstein disserta acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, sobretudo, no que se refere à desigualdade de acesso aos benefícios normativos. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja vista os desafios enfrentados pelos atletas paraolímpicos no país. Esta realidade deve-se, essencialmente, à falta de incentivos para a infraestrutura adequada das quadras esportivas e ao preconceito enraizado na sociedade brasileira. 


        Inicialmente, é importante ressaltar que a infraestrutura das quadras de esportes tanto públicas como privadas, geralmente, não é adaptada para pessoas com alguma deficiência. Nessa lógica, a Lei Pelé visa democratizar o acesso a atividades esportivas sem quaisquer distinções ou formas de discriminação. Entretanto, fora do plano teórico, os atletas paraolímpicos não têm seus direitos garantidos, uma vez que não possuem espaço adequado para os treinos. Essa dura situação deve-se ao descaso estatal para com essa população, já que o Estado não incentiva a construção de salões adaptados aos esportes paraolímpicos. 


        Além disso, a coletividade brasileira é construída sobre um modelo excludente impostopelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não se encaixa nos padrões estabelecidos sofre periferização. Nessa perspectiva, em sua obra "Casa-grande e senzala", Gilberto Freyre defende que, durante a formação colonial, as diferenças eram vistas com repulsa. Assim, aquelas pessoas com alguma deficiência eram - e ainda são- excluídas. Percebe-se, pois, que o preconceito enraizado na coletividade promove o pouco prestígio dos atletas paralímpicos perante a sociedade brasileira, fato que se reflete nos escassos patrocínios recebidos pelos esportistas. 


         Portanto, para superar os desafios dos atletas paraolímpicos no Brasil, é imprescindível que o Governo Federal, em parceria com as Secretarias Municipais do Esporte e Lazer, crie um Complexo Inclusivo de Esportes em cada distrito do país, através de sua inclusão no plano diretor de cada município. Essa medida visa garantir o que, até o momento, só é assegurado na teoria: o direito desportivo. Além disso, é essencial que a visão estigmatizada do dificiente seja desconstruída. Isso deve ser feito por meio de debates abertos nas escolas e nas comunidades, com ênfase nos feitos atléticos dessa minoria, com o fito de ampliar a visibilidade e a arrecadação de patrocínios para esses atletas. Desse modo, poder-se-á atenuar a desigualdade discutida por Dimenstein.

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