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Os desafios da sexualidade na adolescência

Na série britânica “Sex Education”, Otis é filho de terapeutas especializados em sexo que começa a ajudar seus amigos a lidarem melhor com suas experiências sexuais. Dando conselhos sobre aceitação pessoal, o próprio protagonista sofre problemas na sua relação com seus pais e com seu próprio corpo. Fora da ficção, os dilemas concernentes à sexualidade também se fazem presentes na vida dos adolescentes e jovens da contemporaneidade. No entanto, a banalização da discussão clara e aberta acerca da sexualidade, bem como o crescente preconceito frente às orientações sexuais representa um entrave para o enfrentamento de tais dilemas.


 



Vale apontar, de início, que a adolescência é um período de transição entre a infância e a fase adulta, correspondendo, assim, a um período repleto de desenvolvimentos e mudanças corporais. Desse modo, é nesse contexto que surgem as inseguranças e todos os conflitos referentes ao mundo sexual, que corroboram a necessidade de promover um diálogo aberto com os adolescentes. Entretanto, percebe-se que dentro da maior parte das famílias, assim como em diversas instituições de ensino, o tema segue sendo um tabu, fomentando, dessa forma, a ideia de que a relação sexual na adolescência deve ser algo reprimido e sigiloso. Essa problemática encontra respaldo nos princípios filosóficos de Foucault, mais especificamente no conceito de “tabu do objeto”: há determinados assuntos dos quais não se pode falar, que não podem entrar nos discursos. Dentre eles, a sexualidade. Sendo assim, os processos de exclusão dos discursos contribuem para a desinformação dessa faixa etária, o que agrava os impasses que envolvem a vida sexual. Só assim, os dilemas vistos em "Sex Education" não continuarão sendo uma realidade.


 



Em segunda análise, cumpre destacar que, em grande parte, é no adolescer que questões relacionadas à orientação sexual são postas em pauta. Logo, nesse período de constantes descobertas, os adolescentes começam a estabelecer determinadas preferências sexuais. Contudo, nota-se que muitos jovens optam por não assumir abertamente sua orientação sexual e, quando o fazem, precisam encarar familiares que não aceitam e uma sociedade extremamente preconceituosa, principalmente diante de indivíduos não heterossexuais. Essa análise se coaduna com aquilo que o sociólogo Zygmunt Bauman denomina “mixofobia”: o medo de se envolver com o diferente, o desconhecido. Esse medo, não raro alimentado por discursos preconceituosos. Destarte, infere-se que a discriminação e o receio do julgamento da família dificultam a sexualidade dos jovens, fazendo com que se sintam reprimidos.


 



Portanto, diante do exposto, é imprescindível a adoção de medidas que visem naturalizar o debate sobre a sexualidade na sociedade. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação, por meio da reformulação da Base Nacional Comum Curricular, inserir a obrigatoriedade da Educação Sexual nas escolas, com o fito de proporcionar adolescentes mais preparados e informados para a iniciação na vida sexual. Ademais, urge que a Secretaria de Cultura, por meio da ANCINE, priorize em seus editais de chamada pública, projetos que tematizem a importância dos pais aceitarem a orientação sexual dos filhos, com o intuito de garantir que os adolescentes não tenham que esconder suas preferências.

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