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Os desafios da sexualidade na adolescência


Na série britânica "Sex Education", Otis, um estudante do colégio Moordale, filho de uma terapeuta sexual, juntamente com sua colega Maeve passam a oferecer ajuda aos estudantes com problemas sexuais por meio de terapia, visto que a orientação sexual oferecida pela escola não era suficiente. Em analogia, na atual conjuntura brasileira, a ausência de diálogo sobre sexualidade se mostra um desafio na adolescência. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: o tabu da sexualidade feminina e a falta de aconselhamento aos jovens, sobretudo por parte familiar.


É importante considerar, antes de tudo, que os preceitos do patriarcado, em especial do século XV e XVIII, enraizaram características machistas que refletem diretamente na figura feminina. Nesse viés, a mulher era tida como "objeto de apreciação" e estava submetida à figura masculina, nesse contexto, construiu-se um tabu quanto à sexualidade feminina. Dessa forma, garotas adolescentes crescem com a ideia de que conhecer o próprio corpo é algo errado e vergonhoso, o que contribui para a normatização do assédio e experiências sexuais desagradáveis. Assim, tais jovens tornam-se mulheres escassas de liberdade, autonomia e autoconfiança.


Convém analisar, também, que a insegurança, advinda da falta de diálogo e apoio familiar, é outro fator primordial que reflete no comportamento sexual juvenil. Nessa perspectiva, por receio em discutir determinados assuntos, pais deixam de informar e guiar seus filhos em suas vidas sexuais, o que acarreta em uma falta de segurança, medo e frustações do adolescente com o próprio corpo. Prova disso, é que, de acordo com Kátia Teixeira, psicóloga na clínica EDAC, de São Paulo, os pais não entendem que evitar falar sobre atos sexuais com seus filhos não irão tornar esses isentos de terem contato com o tema, entretanto, com o aconselhamento familiar, é possível auxiliar os jovens a tomarem decisões conscientes.


Fica claro, portanto, que o preconceito à sexualidade feminina e a ausência de diálogo são aspectos essenciais no que tange ao desafio presente. Desse modo, o Ministério da Educação, por meio de campanhas midiáticas e palestras, em escolas, deve oferecer um maior número de informações para pais e alunos sobre: educação sexual, métodos contraceptivos e como a comunicação familiar sobre dilemas sexuais se faz de suma importância, a fim de formar jovens seguros e conscientes. Ademais, é primordial que, nessas palestras, sexólogos se façam presentes com enfoque em meninas adolescentes, destacando o valor de conhecer e de ter poder sobre o próprio corpo, com o intuito de tonar a mulher protagonista da sua própria sexualidade e de visibilizar o empoderamento feminino. Com efeito, terapeutas como o Otis e a Maeve de "Sex Education" não serão mais necessários.

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