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Os desafios da alimentação escolar no Brasil
O escritor Stefan Zweig, no século XX, exilou-se no Brasil em razão da perseguição comandada por nazifascistas aos judeus na Europa. Ao se encantar com a hospitalidade dos brasileiros, o austríaco escreveu um livro cujo título é repetido até hoje: "Brasil, país do futuro". Entretanto, ao analisar os desafios da alimentação escolar, percebe-se que o austríaco errou na previsão. Infelizmente, notam-se a carência no abastecimento escolar, a validade dos produtos e a desnutrição. Certamente, a alimentação escolar tornou-se uma problemática no país devido a negligência governamental.

Convém ressaltar, a princípio, que, segundo Sócrates, os erros são consequências da ignorância humana. Nesse sentido, é válido observar que, a partir do descaso estatal em relação as falhas municipais e estaduais na garantia do direito à alimentação - artigo 6 -, o âmbito escolar tem seu abastecimento alimentar minimizado e subaproveitado, pois não há interferência necessária para mudar tal situação. À vista disso, é interessante destacar que tal conjuntura se mostra intensificada pela insuficiente efetividade do Estado, uma vez que interfere em políticas públicas e sociais, como na disponibilização de mais capital ao setor. Bom exemplo disso é a dispensa de alunos, em Campinas, por falta de merenda. Dessa forma, a ignorância do Estado com os elementos que asseguram o direito constitucional submete os estudantes a um desenvolvimento nutricional carente.

Além da negligência estatal, a situação também se revela ratificada por fatores sociocultural. Na história do país, com o processo de industrialização, iniciou-se a produção de bens alimentícios com o fito de exportar e obter lucro, sem atender toda a demanda do país e amenizar a miséria. Lamentavelmente, o quadro agroexportador possui influências no território brasileiro até hoje. Prova disso é crianças se alimentarem na escola por não haver condições em casa. Dentro dessa lógica, observa-se que o país possui uma produtividade suficiente para o abastecimento de todos, contudo, há uma distribuição desigual, sujeitando crianças à fome e dependentes da alimentação escolar.

Em suma, medidas são necessárias para resolver o problema. Não se pode ignorar a desnutrição das crianças. O Estado deve e pode, em parceria com o Ministério da Educação, investir no abastecimento escolar, disponibilizando uma parcela maior do PIB às instituições de ensino, a fim de assegurar o direito constitucional à população e de solidificar a base da merenda escolar pública, conciliando o desenvolvimento infantil com uma educação alimentar e uma nutrição saudável. Assim, talvez, a profecia do escritor austríaco se realizará.
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