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Obsolescência programada

A Revolução Técnico-científica, no século XX, proporcionou o advento de tecnologias, as quais, em tese, facilitariam os processos cotidianos da sociedade. Na pós-modernidade, a utopia de um mundo desenvolvido é fomentada por um modelo de produção que privilegia a substituição oportuna e periódica dos produtos, primando a capitalização em detrimento da perenidade e da natureza. Nesse sentido, essa realidade constitui um desafio a ser superado não somente pelo poder público, mas toda a conjuntura social.


De modo precípuo, o capitalismo financeiro pressupõe um padrão de comercialização suscitando a usurpação dos bens de produção. Desse modo, segundo Adam Smith, na obra "A riqueza das nações", o modelo econômico liberal deve ser orquestrado pelo jogo da oferta e da procura de mercado, preconizando a livre iniciativa privada. Similarmente, a curta durabilidade dos produtos é motivada por interesses de cunho financeiro, os quais subvertem as relações entre necessitar e comprar. Dessa forma, a produção em larga escala e com predisposição ao defeito corrobora um cenário de menosprezo quanto a ética de mercado e, não obstante, a incolumidade do meio ambiente.


Outrossim, a publicidade aliada à comercialização de um padrão de vida utópico e ideal, motiva e sustenta a prática consumista na sociedade. Em face disso, de acordo com Zygmunt Bauman, no livro "Vida para consumo", a condição primordial para existência humana em sociedade é consumir, de modo a parafrasear a máxima cartesiana: "consumo, logo existo". Analogamente, a obsolescência programada é regida pelo estereótipo de um corpo social nutrido pela compra sem precedentes inteligíveis ou racionais. Diante disso, essa problemática constitui uma realidade efêmera dada aos produtos e as relações cotidianas.


Depreende-se, portanto, que o consumismo atrelado a um padrão de existência dito ideal é catalisador da obsolescência programada. Dado isso, faz-se necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Economia – órgão responsável pelas diretrizes orçamentárias do país – tabule uma lei que onere fiscalmente os fabricantes de produtos obsoletos, viabilizando a capacitação de profissionais competentes para atuar na fiscalização dessas empresas. Assim, será possível reestruturar o sistema e mitigar os riscos desse problema, construindo uma sociedade integrada e com valores sólidos.

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