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O uso excessivo de celulares na infância

Enquanto novos meios de comunicação foram surgindo e se tornando hegemônicos na sociedade, a população foi se habituando a eles. Primeiro vieram os jornais, depois o rádio, em seguida a televisão e, agora, os celulares e computadores com acesso à internet. É possível dizer, então, que as crianças aprendem, desde cedo, a utilizarem essas tecnologias, pois é algo habitual no seu cotidiano. Logo, é preciso ter cuidado para que o uso excessivo desses novos aparelhos não prejudiquem o desempenho escolar das novas gerações.


De início, para o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar. Sob essa perspectiva, observa-se que o uso excessivo de celulares e outros aparelhos eletrônicos, pelas crianças, se enquadra na teoria do autor, visto que elas vivem em ambientes onde esse comportamento é normalizado, seja pela família, seja por outras crianças com as quais convivem e tendem a adotar a mesma prática. Uma prova disso é o depoimento da psicóloga Kelma Johnson, do Hospital Cosme e Damião, que diz que atende com frequência mães desesperadas porque seus filhos passam a tarde inteira no celular e elas não sabem como agir. Contudo, é importante ressaltar a influência que a própria mãe exerce sobre o comportamento do filho, dado que na maior parte das vezes os pais gastam suas horas de lazer também dedicados à outras telas de aparelhos eletrônicos, como a televisão, sendo assim é natural que as crianças aprendam a fazer o mesmo.


Ainda, segundo Kant, filósofo iluminista, "o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele". Sob esse viés, o celular não é a melhor maneira de se educar uma criança, porque o tempo gasto com o aparelho poderia ser direcionado para atividades esportivas, artísticas ou escolares. Pode-se dizer que, nesse contexto, é preocupante o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos pelas crianças, uma vez que, dessa forma, esse comportamento pode levar ao fraco desempenho na escola, na medida que as horas de celular são, geralmente, horas não gastas em estudos ou outras atividades que as ajudem no seu desenvolvimento pessoal. Uma consequência do impacto desse hábito é a criação de centros para viciados em tecnologia, como acontece na Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro. Apesar de não serem focados no público infantil, eles são bons exemplos do quanto o uso excessivo está enraizado na sociedade, impactando a produtividade e o bem-estar dos que cedem ao uso sem medidas dos eletrônicos.


É evidente, portanto, a necessidade de limitar o uso dos celulares por parte das crianças, com ajuda da família, que deve cuidar para não se tornar uma influência negativa nesse processo. A fim de reverter o quadro atual, os pais devem incentivar seus filhos a buscarem outras atividades que achem interessantes, como futebol, natação, aulas de circo, ou algum grupo de estudos em uma matéria que a criança goste mais, e, se possível, que os mais velhos acompanhem as crianças, apoiando-as no processo. Isso pode ser feito levando-as a centros esportivos, com o fito de que as próprias decidam o que querem fazer ou acompanhando-as a outras atividades físicas que possam integrar a família, como yoga e dança contemporânea, para que, assim, toda a família possa buscar meios de gastar seu tempo sem o intermédio da tecnologia. Talvez, com isso, as pequenas não desperdicem mais seu tempo nos celulares, mas com aquilo que tem motivação para fazer.

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