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O preconceito linguístico em questão no Brasil
No século XVII, autores como Gregório de Matos, que bebiam na fonte da corrente literária barroca, escreviam seus textos com grande preciosismo linguístico, optando por utilizar termos rebuscados, distanciando-se, assim, da linguagem comum a todos com o objetivo de provar seus conhecimento da língua portuguesa. Engana-se quem pensa que esses costumes barrocos já foram superados. Hoje, no Brasil, ainda existem remanescentes de preconceito linguístico, seja ele da língua escrita ou falada. Tendo em vista essa problemática que exclui parte da população, se faz necessária a tomada de medidas para acabar com esse tipo de preconceito no país.

Desde a colonização do Brasil propagou-se a ideia, principalmente por parte dos missionários portugueses responsáveis pela catequização dos povos indígenas, que a língua é um mecanismo de controle, e, mais, um símbolo de padronização. E só quem fala corretamente e ignora dialetos pode verdadeiramente se encaixar em sociedade. Atualmente essa ideia ainda é propagada por alguns professores em escolas e universidades do Brasil. E o que preocupa nesse comportamento é que aspectos importantes de regionalidades e costumes linguísticos são deixando de lado (por vezes condenando), em nome da normatização.

Essa deseducação linguística que começa na escola e é comumente ecoada pelos meios de comunicação, como jornais e novelas, acaba gerando uma mazela social ainda mais profunda: a ideia de separação social pela língua. Estabeleceu-se no Brasil a ideia que somente a parcela mais abastada da população fala o "bom português? e grupos culturais ou econômicos distintos do "padrão? estão errados e precisam ser corrigidos. Em um aspecto ainda mais profundo, esse tipo de doutrinação política da língua acaba por gerar uma auto-discriminação por parte de pessoas ou grupos sociais que falam de forma diferente ao tido como padrão.

Tendo em vista os pontos apontados, fica clara a necessidade de tomada de iniciativas para gerar a mudança nesse quadro de preconceito linguístico no Brasil. Se onde o brasileiro começa a conhecer mais intimamente a língua portuguesa é na escola, é por lá que as mudanças devem começar. O MEC, com apoio da iniciativa privada, deve passar a oferecer cursos de atualização e reciclagem aos professores das escolas públicas e privadas do país, visando coibir questões que permeiam o preconceito e/ou discriminação linguística nas escolas. Além disso, a Unesco juntamente com os meios de comunicação devem usar as televisões abertas para divulgar propagandas que apontem a importância da diversidade linguística e combatam o preconceito. Essas medidas serão importantes não apenas para a modificação do panorama atual de preconceito, mas, também, para gerar maior aceitação e valorização da cultura popular brasileira.
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