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O histórico desafio de valorizar o professor
Nas palavras do educador brasileiro Paulo Freire, a educação não é capaz de mudar o mundo; na verdade, ela muda o indivíduo e este, sim, é capaz de mudar o mundo. Dada a expressiva importância da educação no desenvolvimento da humanidade, esse é um dos direitos inalienáveis garantidos a todos e, ainda, considerado dever do Estado segundo a Constituição Federal de 1988. Paralelo a isso, é notável o valor do profissional da educação na formação dos seres humanos. Entretanto, no Brasil, o professor é seriamente menosprezado, sobretudo os do ensino básico da rede pública. Como peça fundamental na composição de todos os demais profissionais, os professores enfrentam, dia a dia, problemas no cumprimento de seu dever, seja pela cultura de desvalorização dos educadores, hoje inerente à sociedade, ou pelo sucateamento da educação pública, fruto de décadas de negligência dos governantes.
Nesse enfoque, é lúcido ressaltar a problemática em torno da desvalorização do professor. Em princípio, é preciso destacar o fato de que tal posicionamento é quase unânime na sociedade, o que faz com que cada vez menos jovens almejem seguir nessa carreira. Muito disso se deve aos baixos salários ofertados por escolas públicas e privadas, em paradoxo à extensa carga horária de trabalho dentro e fora da instituição. Com a recente aprovação da proposta do teto de gastos, a tendência é que tal situação se perpetue por mais algum tempo. Ainda nesse raciocínio, uma pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) comprova que o salário médio de educadores brasileiros é cerca de metade da média mundial, o que corrobora a baixa adesão à profissão, bem como o desestímulo às especializações, como mestrado e doutorado, na área.
Convém, ainda, analisar como a defasagem da educação pública brasileira interfere na valorização do ensino e do professor. Primeiramente, a falta de uma estrutura física de qualidade e de materiais para uso cotidiano faz parte da realidade da maioria das instituições de ensino básico do país. Isso influencia, diretamente, no desempenho escolar dos alunos, configurando um dos motivos relacionados à alta taxa de evasão escolar nacional. Para ilustrar, levantamento feito pelo PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes) indica que o Brasil ocupa a posição de número 53 na qualidade da educação, dentre, apenas, 65 países avaliados. Outrossim, a violência à qual alunos e professores estão expostos, diariamente, constitui uma problemática no que tange à possibilidade de desenvolvimento desses elementos, colocando o país como o mais violento do mundo na área da educação, segundo dados da OCDE.
Frente a tais impasses, urge, por conseguinte, uma medida por parte do Poder Legislativo. Deve ser aprovada uma emenda que aumente o teto salarial para a categoria dos educadores, isentando a área da educação da reforma concessiva do teto de gastos. Para realizar isso, deve haver uma diminuição na tributação salarial da classe, permitindo, em consequência, um maior salário líquido mensal. Ademais, deve ser ampliada a porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto) destinada à área da educação, atualmente em torno dos 6%. Desse modo, espera-se fomentar a valorização do educador e do ensino, ambos de extrema importância para o desenvolvimento dos cidadãos.
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