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O histórico desafio de valorizar o professor

Desprestígio do ensino, a desvalorização do professor
O ano de 2018 foi marcado, dentre outros acontecimentos, por importantes
greves que reuniram professores, sindicalistas e representantes de secreta-
rias de educação contra a desvalorização de seus profissionais, especialmen-
te dos educadores. Manifestou-se, em alta voz, a contínua depreciação da
área, reflexo de um caráter histórico da construção educacional deficiente
no Brasil e da tendência cada vez mais materialista incentivada pela mídia.
Não é novidade o fator indutivo de desigualdade social do sistema de edu-
cação brasileiro: ao maior contingente populacional do país é oferecido o
sistema público de ensino, de baixa qualidade, enquanto as classes sociais
menos desfavorecidas optam pela rede particular. Esse cenário é fruto do
processo de inserção do conhecimento científico no Brasil, que, ainda no
Período Colonial, era limitado aos familiares da aristocracia cafeicultora,
enviados para formação na Europa, enquanto o restante da sociedade
permanecia analfabeta. A perpetuação desse cenário histórico produz, ine-
vitavelmente, a desvalorização do profissional da educação.
Aliado a esse problema está o papel da mídia, forte influenciadora do sen-
so comum brasileiro, que tende a favorecer materialismos em detrimento
da formação intelectual. A valorização do "ter" acima do "saber" preza pela
recompensa material imediata, contrastando com o longo processo de
construção pessoal, gerando a adjetificação do conhecimento como
desnecessário. O livro de Pepetela, Mayombe, retrata esse conceito em
uma conversa entre Verdade, um guerrilheiro do movimento de libertação
de Angola, e Sem Medo, seu comandante, que alude sobre a importância
do ensino teórico na base militar, mesmo para as guerrilhas.
O Brasil, portanto, está longe de oferecer a devida valorização ao profes-
sor, pois ainda não reconhece o valor da educação. Para que seja promo-
vido seu reconhecimento, a mídia tem papel fundamental na reformulação
dos conceitos criados pela sociedade a respeito do conhecimento e do
papel primordial do professor para alcançá-lo. Exibindo nas novelas e nas
revistas o protagonismo do repertório científico, substituindo a relação
entre aparências e prestígio social, quem sabe, o professor seja reconheci-
do em sua função, efetivamente, como mestre.
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