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O consumismo e seus impactos ambientais

Uma das descrições mais emblemáticas sobre o Brasil é, sem sombra de dúvidas, a carta de Pero Vaz de Caminha. Nela, o autor conta ao Rei de Portugal as primeiras impressões do "Novo Mundo": "uma terra de muitos bons ares; águas infindas e exuberante biodiversidade". Todavia, Caminha não poderia imaginar que, pouco mais de 500 anos depois, a tão formosa terra descoberta, sofreria sérios impactos ambientais devido ao frenético consumo instalado no "Atual Mundo".


Por certo, o desmatamento, as queimadas, a má gestão dos resíduos resultantes do processo e, principalmente, a obsolescência programada imposta pela globalização à sociedade, são os resultados desse consumismo exagerado. Só para ilustrar, em 2008, a Baía de Guanabara, sofreu um sério desastre ambiental: houve derramamento de petróleo em suas águas, o que acabou por gerar grande perda da biodiversidade. Esta calamidade aconteceu porque são fracas e poucas as políticas públicas que protegem a fascinante variedade biológica brasileira da irresponsabilidade humana.


Dessa forma, ainda que uma sociedade capitalista dependa do consumo para existiro, a constante produção (em grande maioria de bens não duráveis) gera graves consequências a todos os ambientes, seja terrestre, marinho, social e, inclusive, individual. Tanto é que, segundo o IBGE, além de 90% dos municípios sofrerem algum impacto ambiental, dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostram que o Brasil tem quase 3 mil lixões funcionando em 1.600 cidades e, lamentavelmente, milhares são as pessoas que neles vivem, matam sua fome e tiram seu sustento.


Assim, a terminologia impacto ambiental toma novas proporções à medida que se relaciona não somente ao meio ambiente, como também na integridade humana. Neste sentido, o consumismo extremo impacta várias perspectivas. Por este efeito, Jorge Furtado produziu um documentário que mostra muito bem este cenário: Ilha das Flores. O curta – metragem revela de forma ácida e quase científica quão desumano é a vida das pessoas que dependem do lixo - produto do consumismo excessivo - por se tratar não somente de algo material, mas, principalmente, por possuir um sentido moral em que aquelas pessoas estão envolvidas.


Em conclusão, é urgente a necessidade de acabar os impactos ambientais causados pelo consumismo.Logo, as prefeituras podem investir em leis que tenham como objetivo preservar o meio ambiente, a fim de que não ocorra outros desastres como em Guanabara. Ademais, o terceiro setor, aliado as instiuições de ensino, pode criar campanhas, programas e aplicativos que ensinemtoda a sociedade como consumir de forma consciente, com o intuito de educar sobre os impactos negativos ocasionados. Outrossim, é papel do Governo Federal elaborar mecanismos, como oportunidades de emprego e acesso à educação, para que assim não seja necessário fazer dos lixões, lares. Por conseguinte, só assim será possível salvar esta gente" e, consequentemente, evitar que o consumismo desenfreado afete o ambiente e a condição humana - até porque "todos os indivíduos possuem o telencéfalo desenvolvido e polegar opositor". Afinal, a Ilha das Flores, merece que seu nome seja ratificado.

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