O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

O aumento da expectativa de vida como desafio no Brasil

Topo largo e base estreita: essas são as características da pirâmide etária, caracterizada pela transição demográfica, advinda pelo aumento da expectativa de vida e queda da natalidade. Nesse contexto, sem o planejamento adequado, essa transição pode trazer malefícios tanto para a população idosa, quanto para a sociedade como um todo. Sendo assim, na atual conjuntura brasileira, devido à ausência de preparação, o país enfrenta desafio quanto ao aumento da expectativa de vida. Nesse sentido, a crise previdenciária e a jornada árdua de envelhecimento são os principais impasses sofridos.


É importante considerar, antes de tudo, que o déficit da previdência está diretamente relacionado com o envelhecimento populacional e com a má distribuição de recursos. Nesse viés, com o avanço da medicina, da escolaridade e das redes de saneamento básico, a expectativa de vida do brasileiro aumentou consideravelmente, passando de 62,57 anos em 1980 para 76 anos em 2017, de acordo com o IBGE, sendo assim, o país passa de um país de jovens para um de idosos, em que, tenderá a um cenário de muito trabalhadores inativos sustentados por poucos ativos. Além disso, apesar dos altos impostos arrecadados, a péssima distribuição de verbas, em que favorece as "superaposentadorias" de servidores públicos, juízes e políticos, potencializa diretamente a crise.


Convém analisar, também, que com o advento da tecnologia, tornou-se comum incorporar aos mais velhos valores ultrapassados e antiquados, o que dificulta o envelhecimento desses. Nessa perspectiva, o mercado de trabalho, de forma gradativa, ficou mais competitivo e seletivo, o que aumentou o número de empecilhos encontrados pela terceira idade, visto que não possui mais condições exaltadas – força física, idade e saúde perfeita – por um país no qual o cidadão é detentor da mão de obra para o funcionamento da economia. Desse modo, conforme o sociólogo Karl Marx, há na sociedade moderna uma reificação do indivíduo, segundo o qual considera o trabalho e a pessoa como uma mercadoria, sendo assim, o idoso perde sua função social e se transforma em um indivíduo sem utilidade ao capitalismo, sofrendo inúmeras práticas discriminatórias.


Fica claro, portanto, que o déficit previdenciário e a reificação do indivíduo são os desafios advindos do aumento da expectativa de vida. Dessa forma, é primordial uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e o Ministério da Educação, em que devem elaborar programas e campanhas que evidenciem o julgamento depreciativo contra os longevos, as quais precisam ser difundidas em escolas, universidades e em mídia virtual e física, com o intuito de desconstruir a visão coisificada do indivíduo. Ademais, é essencial que o Ministério do Trabalho e Emprego promova a valorização de trabalhadores mais velhos, isso é, daqueles que estejam aptos, mediante incentivos, com a disposição de programas de capacitação, para empresas que adotem tal conduta, a fim de que os idosos aptos a trabalhar possam auxiliar a economia do país e, assim, amenize a crise existente, entretanto, só será eficaz se o legislativo reexaminar a reforma da previdência e extinguir os privilégios políticos, reduzindo o salário desses. Só assim, a transição demográfica não trará prejuízos ao corpo social.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!