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O abandono de idosos no Brasil

Sob o ponto de vista atual, as constantes modificações na pirâmide etária do Brasil revelam o aumento da expectativa de vida da população. Entretanto, devido à ausência de políticas públicas sólidas e eficientes, a sociedade se encontra despreparada para receber esses indivíduos com a qualidade necessária e, por conseguinte, a longevidade não é acompanhada de bem-estar social, pois a maioria dos idosos enfrentam dificuldades como o desamparo familiar, a falta de acessibilidade nas ruas e os problemas nos serviços de saúde. Dessa maneira, é imprescindível reestruturar as políticas públicas vigentes, bem como analisar as consequências do abandono de idosos no país.


Em conformidade com o Estatuto do Idoso, qualquer indivíduo acima de 60 anos de idade goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. Todavia, nota-se a sua incoerência com o cenário contemporâneo do território nacional, uma vez que a inércia estatal contribui para o atraso no desenvolvimento de programas sociais e assistenciais voltados para atender às necessidades emergentes desse grupo populacional. Ademais, a precarização do Sistema Único de Saúde é reflexo do despreparo do país em prestar serviços prioritários, haja vista que a fila de espera para exames e a insuficiência de profissionais adequados penaliza parte significativa dessa comunidade em estado de vulnerabilidade socioeconômica.


Paralelo a isso, em coadunação com a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Nesse aspecto, é perceptível que, lamentavelmente, a persistência da visão cristalizada e preconceituosa do papel do idoso na sociedade provoca a sua exclusão, de maneira a acarretar o desenvolvimento de transtornos psicológicos como a depressão e a ansiedade. Outrossim, o desamparo familiar contribui para a lotação em casas de repouso que, uma parte expressiva, não possuí infraestrutura adequada para sanar as suas carências, além disso verifica-se que muitos estão em situação de miséria, onde são submetidos a abusos físicos e emocionais.


Logo, cabe ao Governo Federal desenvolver o Plano Nacional de Valorização do Idoso, com a finalidade de redirecionar as suas ações para as áreas de saúde e cuidado da pessoa idosa, mediante a ampliação da saúde pública e na elaboração de campanhas publicitárias nas redes sociais e nos espaços públicos para promover a conscientização coletiva em relação a importância de incluir e respeitar esse grupo e, consequentemente, incentivar as denúncias contra maus tratos. Ademais, cabe ao Poder Legislativo gerar leis mais rigorosas às violações com o objetivo de tornar essa problemática um crime hediondo.

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