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O abandono de idosos no Brasil

            Consoante a Constituição Federal de 1988, todos possuem o direito a uma vida digna e compete ao Estado garanti-lo mediante políticas sociais. No entanto, quando se observa os casos de abandono de idosos no Brasil, atualmente, nota-se que, em virtude de aspectos da contemporaneidade e da inoperância estatal, muitos cidadãos sofrem com consequências que ferem a dignidade humana, fato esse que, por sua vez, evidencia a não garantia de um direito previsto na Carta Magna brasileira.


            A princípio, cabe pontuar que o enfraquecimento dos laços familiares, realidade que vem se tornando comum na sociedade brasileira, é um dos principais fatores à incidência de casos de abandono de idosos no país. Uma prova disso pode ser identificada no conceito de modernidade líquida, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o qual afirma que a sociedade contemporânea se encontra emergida no individualismo, na fluidez e na efemeridade de relações – o que ratifica a ausência de empatia para com os mais velhos no Brasil. Desse modo, depreende-se que existe a necessidade de mudar essa triste realidade social.


            Além disso, convém frisar que, em virtude da inércia governamental, a ausência de uma educação financeira potencializa as consequências intrínsecas ao abandono dos idosos, uma vez que a falta de planejamento financeiro ao longo da juventude, muitas vezes, resulta em instabilidades financeiras ao se chegar à terceira idade, o que dificulta a garantia de uma boa qualidade de vida. Comprova-se a dimensão desse problema ao analisar dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos quais é possível perceber um aumento de 33%, entre os anos de 2012 e 2018, de idosos que se encontram em albergues públicos, conjuntura essa que revela o impacto da questão financeira no problema em questão. Dessa forma, infere-se que há uma indispensabilidade de, por meio de políticas sociais, atenuar esse impasse.


            Logo, a partir dos argumentos mencionados, é imprescindível que o Ministério dos Direitos Humanos, em conjunto com o Ministério da Educação, crie projetos que visem mitigar essa problemática. Com base nessa premissa, além de fornecer uma melhor qualidade de vida aos idosos que se encontram desamparados em asilos comunitários – recorrendo a recursos públicos, é primordial que – por intermédio de palestras, debates e trabalhos periódicos, com a participação de pais e familiares – ocorra a implementação de um projeto educacional que externe à população a importância do planejamento financeiro a longo prazo, com o objetivo de prevenir as consequências inerentes à velhice nessa modernidade fluida. Tudo isso com o propósito de que o tecido social, enfim, se beneficie de um direito constitucional e indispensável à vida – a garantia da dignidade humana.

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