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O abandono de idosos no Brasil

  Ao longo do movimento iluminista na Europa do século XVIII, percebeu-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se mobiliza pelo problema do outro. No entanto, quando se observa o desperdício alimentício no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria, mas não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse contexto, convém analisar a ineficiência dos poderes públicos na efetivação de direitos e o papel do corpo social na problemática em questão.

  Em primeira análise, é inegável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de políticas públicas de aproveitamento dos alimentos ao longo da cadeia produtiva rompe essa harmonia, haja vista que, embora a Carta Magna de 1988 garanta o direito à alimentação a todos, muitos alimentos que poderiam compor a mesa de vários brasileiros são descartados durante a seleção dos produtos que irão para aos grandes mercados por não se enquadrarem aos padrões de venda.

  Outrossim, evidencia-se a participação de setores da sociedade como fator impulsionador do impasse em questão. De acordo com Émile Durkheim, o fato social consiste em maneiras de agir e de pensar que exercem poder de coerção sobre os indivíduos, obrigando-os a se adaptarem às regras da sociedade onde vivem. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que o hábito de desperdiçar alimentos no dia a dia se enquadra na teoria do sociólogo francês, uma vez que, se um jovem vive em um grupo familiar com esse comportamento, tende a adotá-lo por conta da convivência em grupo. Assim, o pensamento de jogar no lixo o alimento sem seu total consumo é transmitido de geração a geração agravando o problema no país.

  É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de uma sociedade melhor. Destarte, para atenuar a problemática, cabe ao Governo Federal, por meio de incentivos fiscais para empresas do ramo alimentício, estimular a doação de alimentos, que comumente seriam descartados no lixo, para comunidades economicamente carentes. Ademais, conforme o pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas de ensino médio, palestras ministradas por pedagogos para que discutam a importância de aproveitar todo o alimento durante o consumo, a fim de que o tecido social se desprenda de certas amarras e não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.

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