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O abandono de idosos no Brasil

          O Artigo 6º da Constituição Federal de 1988 prevê alguns direitos imprescindíveis à vida, tais como: a saúde, a segurança, a moradia e a dignidade. Entretanto, nota-se que, no Brasil, os idosos não desfrutam, efetivamente, dessas garantias constitucionais, haja vista que sofrem com o abandono. Esse cenário ocorre em razão da irresponsabilidade familiar (sendo agravado devido à inoperância estatal) e gera uma violência simbólica. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves de tal problemática.


          É relevante elencar, primeiramente, a postura irresponsável dos familiares. O corpo do ser humano, ao longo dos anos, necessita de cuidados minuciosos, sobretudo quando alcança a velhice (devido, por exemplo, a perda da eficiência metabólica). Dessa forma, os idosos, por precisarem de atenções especiais, são vistos, muitas vezes, como um contratempo e acabam sendo abandonados pelos próprios parentes. Adicionalmente, como fator agravante da situação, podemos mencionar a passividade governamental, no que diz respeito à criação de mecanismos que atenuem tal cenário. Consoante o expoente sociólogo inglês Thomas Humphrey Marshall, o Estado deve funcionar como um agente mantedor dos direitos socias. No entanto, percebe-se que a realidade brasileira não condiz com o pensamento de Marshall, haja vista que muitas pessoas que pertencem ao tecido social mais velho, por vezes, não desfrutam de políticas públicas que garantam saúde, segurança, moradia e dignidade (alguns dos principais direitos sociais). Assim, vê-se que os anciãos, além de desprezados pela família, não são totalmente protegidos pela Nação.


          Consequentemente, muitos idosos acabam sofrendo de forma moral e psicológica.  De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a violência simbólica é exercida pelo corpo sem coerção física, causando, dessa forma, graves danos morais e psicológicos. Seguindo essa linha de raciocínio, percebe-se grande semelhança com o hodierno cenário brasileiro, uma vez que os idosos, ao serem abandonados pelas famílias e não encontrarem amparos do Estado, acabam tendo seus psicológicos afetados e suas dignidades fragilizadas. Nota-se, então, a necessidade de políticas para vencer essa vicissitude.


            Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para combater o abandono de idosos no Brasil. Assim, é imperioso que o Governo Federal, instância máxima da administração pública, crie mecanismos para abrigar e fornecer não só um bem-estar físico, como também assistência psicológica para os abandonados. Isso deve ser feito por meio de construções de abrigos pelo Brasil e fornecimento de uma assistência psicológica para tais moradores. Complementarmente, a mídia, importante meio de socialização, deve informar a importância dos cuidados para com as pessoas da terceira idade e que o abandono é caracterizado como um crime. Essa conscientização social precisa ser realizada por propagandas em horário nobre. Espera-se, com essas medidas supracitadas, que os direitos, mencionados por Marshall e garantidos constitucionalmente,  sejam, de fato, cumpridos.

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