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O abandono de idosos no Brasil

O artigo 3 do Estatuto do Idoso informa que é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público em efetivar os direitos básicos como a vida, saúde e alimentação aos mais velhos. Por certo, com o aumento da expectativa de vida do brasileiro, essas informações se tornam cada vez mais importantes. No entanto, a realidade para muitos idosos no Brasil é o oposto do que é assegurado na lei, haja vista problemas como o abandono, no qual ainda é muito comum. Isso ocorre, pela cultura de desvalorização ao mais velho, muito presente no contexto atual. Por isso, o Estado não pode negligenciar a questão da desigualdade social do país, pois, ela dificulta que muitos tenham uma renda para se manter na velhice, em caso de abandono.


Deve-se destacar, a princípio, o quanto à cultura de desvalorização ao mais velho contribui para que muitos vivam o abandono. No cenário capitalista contemporâneo, há uma valorização da produtividade, do trabalho e do lucro e, certamente, muitas pessoas que não conseguem estar nesses ambientes, são preteridas. Ao considerar os idosos, que precisam se aposentar nessa fase da vida, ocorre uma perca de função social nesses meios e, ainda, passam a ser vistos pela sociedade com certa inépcia em contribuir nesse contexto. Da mesma maneira, no núcleo familiar, os mais velhos também são desrespeitados, haja vista a lei criada pela Comissão dos Direitos Humanos que criminaliza o abandono afetivo de filhos de pais idosos. Por certo, a necessidade dessa lei mostra como esse comportamento é comum no Brasil, assim como a violência contra esse grupo e o quanto são vítimas de fraudes de parentes próximos, por isso, eles precisam de proteção do Poder Público.


Em segunda análise, cabe enfatizar que muitos não conseguem se manter, financeiramente, na velhice, devido à desigualdade social do país. A esse respeito, o Brasil é o sétimo mais desigual no ranking da ONU 2020, com efeito, o cenário dificulta que as pessoas quebrem o ciclo da pobreza. Por certo, pouca parcela da população conseguirá se planejar para chegar na velhice com mais segurança, enquanto grande parte passará os anos tentando buscar uma renda para o momento presente. Dessa forma, muitos estarão expostos ao desamparo e sem renda para sobreviver, se forem acometidos por algum tipo de abandono.


Diante disso, torna-se notório como o Estado negligencia a questão do abandono de idosos no Brasil. Portanto, urge que a Secretária dos Direitos Humanos reforce para a sociedade a importância da assistência na velhice, por meio de campanhas na televisão, outdoors e redes sociais, que informem sobre a criminalização do abandono parental e a necessidade das denúncias, com intuito de conscientizar a população sobre um problema real que o país enfrenta. Dessa forma, aos poucos, os artigos do Estatuto do Idoso refletirão mais a realidade brasileira.

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