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Lixo eletrônico e impactos socioambientais

Aristóteles define por “ato” tudo o que se é e por “potência” tudo o que se pode ser. Nesse viés, os impactos gerados pelo lixo eletrônico têm confinado a sociedade e o meio ambiente brasileiros em uma ilha de “atos” cercados por um mar de “potências”. Logo, diversas são as causas e consequências dessa problemática, dentre as quais certamente destacam-se o estímulo à contínua geração de lixo eletrônico e o adoecimento de uma parcela da população brasileira, respectivamente.


De início, devido à cultura consumista da sociedade, produtos eletrônicos são frequentemente substituídos por novas gerações e consumidos em larga escala fazendo com os de tecnologia ultrapassada sejam descartados – resultando assim em uma contínua geração de lixo eletrônico. Inegavelmente, esse comportamento é estimulado pelas empresas por meio da obsolescência programada que se consiste em uma rápida rotação de tecnologias para maximizar lucros. Dessa maneira, os impactos do lixo eletrônico especialmente em países subdesenvolvidos como o Brasil tende a piorar seus “atos” socioambientais.


Além disso, o contínuo lixo eletrônico gerado tende a causar um adoecimento da população brasileira que tem contato com esses resíduos – garis e catadores de lixo, por exemplo. Por certo, o risco de adoecimento se deve aos elementos mercúrio e cádmio que são comuns em produtos de alta tecnologia, uma vez que em altas concentrações geram danos cerebrais e ósseos. Ademais, a obsolescência programada não gera impactos apenas na quantidade de lixo, mas também um prejuízo à saúde e às “potências” da sociedade brasileira.


Dessa forma, combater a contínua geração de resíduos eletrônico e o contato da população com elementos de risco é essencial para reduzir os impactos socioambientais causados pelo lixo eletrônico no Brasil. A fim de mitigar a obsolescência programada, o Poder Legislativo deve forçar o prolongamento de gerações de tecnologia – o tempo de prolongamento deve ser baseado nos impactos que essa tecnologia pode gerar ao meio socioambiental – por meio de leis punitivas. Em outro plano, o Ministério da Saúde deve fornecer equipamentos àqueles que têm contato com resíduos nocivos à saúde, objetivando a prevenção de doenças associadas ao resíduo eletrônico. Assim, as “potências” ofuscadas pelos impactos do lixo eletrônico no Brasil poderão se tornar “atos”.

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