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Lixo eletrônico e impactos socioambientais

Vik Muniz, renomado artista plástico brasileiro, desenvolveu lindas obras de arte com os catadores do aterro Jardim Gramacho no Rio de Janeiro. Esse projeto foi retratado em um documentário, onde se vê a triste realidade dos trabalhadores e os diferentes materiais que chegam ao local. Não distante das telas, os resíduos eletrônicos têm avolumado em todo o planeta e, em especial, no Brasil, que é um grande produtor e sem uma política efetiva de reciclagem. Diante disso, é necessário um debate acerca dos impactos socioambientais do e-lixo.


Em primeiro plano, destaca-se o avanço da tecnologia e sua repercussão sobre o ciclo de vida dos produtos eletrônicos. Isso ocorre de forma acentuada desde a Quarta Revolução Industrial, que tem gerado a obsolescência de vários itens da linha verde. Com o objetivo de estarem mais atualizados, os usuários trocam, desenfreadamente, computadores e celulares. Já que inexiste uma política nacional para o reaproveitamento desses materiais, as pessoas jogam na lixeira dos orgânicos. Esses polímeros e metais pesados presentes na composição dos equipamentos reagem com a água da chuva, o que contamina solos e efluentes. Além disso, a falta de reuso gera novas extrações minerais, cujas consequências são o aumento do desmatamento e assoreamento de rios e lagos. Logo, é fundamental que a sociedade repense suas ações e influências ambientais.


Ademais, é notório o efeito nocivo da bioacumulação de metais pesados nos seres vivos. Segundo Peter Drucker, escritor da administração moderna, “a melhor maneira de prever o futuro é cria-lo”, no entanto, a irracionalidade do homem perante o consumismo exacerbado tem propiciado a criação de um mundo danoso e dramático não só para si, mas também para todo o bioma. Como o entulho eletrônico tem, em sua maioria, destino errado, o chumbo, mercúrio, arsênio, cádmio, entre outros elementos da sua constituição são acumulados ao longo das cadeias tróficas, e os animais do topo de cadeia e os humanos são aqueles que mais sofrem. Entre as consequências estão anemia, câncer e danos neurológicos. Logo, a falta de planejamento no presente repercutirá de forma não saudável nos próximos anos.


 


Pode-se perceber, portanto, que o progresso tecnológico e o destino do resto eletrônico devem ser melhor alinhados. Para que haja uma economia circular efetiva e envolver toda a população, é necessário que o Governo Federal, em conjunto com as Prefeituras, implemente um Plano de tratamento do e-lixo, através de diferentes pontos de coleta pela cidade, parcerias com recicladoras e campanhas de conscientização da sociedade. É imperativo, ainda, que as Universidades promovam pesquisas para remoção rápida dos metais pesados em solos e rios. Só assim, a previsão de Drucker se concretizará e o país entrará no ciclo virtuoso além das pessoas viverem mais e sadias.

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