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Lixo eletrônico e impactos socioambientais

No filme “Wall-E”, o planeta Terra encontra-se em estado crítico. Após o globo terrestre ser entulhado com lixo, os seres humanos o deixaram e foram viver em uma nave no Espaço.


Similarmente, fora do mundo fictício, as sociedades atuais estão corroborando para um cenário como o da obra cinematográfica. Nesse sentido, o lixo eletrônico (e-lixo) é um problema socioambiental no Brasil que merece atenção e solução. Isso se deve a falta de infraestrutura e o descarte incorreto desse resíduo sólido, no território nacional.


Primeiramente, é preciso citar os efeitos danosos, no âmbito social, da insuficiência de infraestrutura de coleta de lixo eletrônico. Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, somente 13% das cidades brasileiras apresentam coleta de e-lixo. Em virtude disso, cria-se uma lacuna nas vagas de emprego formal pois há grande potencial de colocações desse tipo no mercado de trabalho para esta área tendo vista que o Brasil é o sétimo maior produtor de lixo do mundo, segundo estudo da Global E-Waste Monitor. Naturalmente, na falta de emprego formal, as pessoas alocam-se na informalidade, consoante com estudo do IBGE que aponta um avanço para 41,3%, da população ocupada, no trabalho informal. Esse patamar é recorde desde o início da pesquisa em 2012. Fica evidente, portanto, os malefícios da falta de infraestrutura de coleta no que tange o âmbito social, em especial, o acesso ao mercado de trabalho formal, garantidor de maior proteção ao trabalhador em relação ao informal.


Consequentemente, o lixo eletrônico é descartado de forma incorreta, polui o meio ambiente e causa contratempos na saúde pública. No Brasil, existem mais de três mil lixões, segundo relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. Por conseguinte, as populações que moram perto dos lixões entram em contato direto ou indireto com o lixo eletrônico, composto de metais pesados (mercúrio, chumbo e ente outros). Assim, os indivíduos adquirem doenças como os tumores. É o que afirma o professor de Engenharia Ambiental Marco Bumba em uma entrevista para o G1: “a maioria dos metais pesados tende a causar tumores. Eles são bioacumulativos”. Logo, é evidenciada a relação entre descarte incorreto do lixo eletrônico e os efeitos negativos da poluição do meio ambiente.


Portanto, a partir do que foi dito, é possível dizer que o e-lixo é um problema socioambiental no Brasil, deve ser contornado e merece um olhar mais atento. Para garantir a resolução desse problema, a atuação do setor público é importante. Isso pode ser feito a partir da criação, por parte do Ministério do Meio Ambiente, órgão nacional responsável pela política nacional do meio ambiente, de pontos de coleta de lixo eletrônico nas cidades brasileiras por meio de verbas públicas. Dessa forma, haverá uma melhora generalizada na infraestrutura de coleta, uma atenuação do descarte incorreto de lixo eletrônico e um afastamento da sociedade do cenário retratado no filme “Wall-E”.

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