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Lixo eletrônico e impactos socioambientais

Em 1987, em Goiânia, o dono de um ferro velho ao desmontar uma máquina de radioterapia encontrou um pó que brilhava no escuro. Assim, a falta de informação junto à nova "descoberta" levou o proprietário do ferro velho a mostrar e a distribuir amostras de césio-137, uma substância altamente radioativa. Dessa maneira, infelizmente, casos semelhantes continuam acontecendo, no Brasil, em decorrência do descarte irregular de lixo eletrônico o que tem por consequência a magnificação trófica e a bioacumulação.
  Primordialmente, em 2017 a ONU divulgou dados mostrando que no Brasil cerca de 1,4 milhão de tonelada de e-lixo, ou seja, lixo eletrônico, é descartado em lixões desregulamentados. Sendo assim, é importante destacar que esses lixões, lamentavelmente, são o local de trabalho de muitos catadores de lixo em situação de pobreza, os quais tentam encontrar objetos de revenda.
  Além disso, com o advento das chuvas o material tóxico encontrado em eletrônicos é carregado para o lençol freático, contaminando-o e, portanto, entrando no ciclo da água. Dessa forma, mercúrio, cádmio, chumbo e outros metais pesados passam a participar da cadeia alimentar e a cada nível trófico maior é a concentração desses metais no organismo, fenômeno conhecido como magnificação trófica.
  Outrossim, com a exposição diária desses catadores ao e-lixo, o material radioativo se acumula no organismo, provocando, por conseguinte, doenças neurológicas, cânceres ou morte. Desse modo, esses indivíduos, agora doentes, devido à precariedade das condições de trabalho obtêm tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), o que gera gastos ao Estado que poderiam e, principalmente, deveriam ser evitados. 
  Nesse ínterim, faz-se necessária a mobilização de agentes como o Estado para que acidentes como o de Goiânia não se repitam. Para tanto, o Ministério do Meio Ambiente, por meio de parcerias com universidades públicas, deve investir em pesquisas voltadas para a reciclagem do e-lixo, a fim de que haja redução na contaminação do meio ambiente. Além disso, a Secretaria do Trabalho precisa capacitar os catadores de lixo para trabalharem com a reciclagem desse material, assim, essas pessoas estarão pouco expostas a metais pesados e, consequentemente, não precisarão usar o SUS.

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