O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Licença paternidade

   O filme "A procura da felicidade" conta a história de Chris Gardner que, após ser deixado pela esposa, precisa cuidar sozinho do filho em uma jornada repleta de adversidades. Fora da ficção, o comovente papel de Chris é aquele interpretado por muitas mães brasileiras, uma vez que, inconscientemente, os pais são afastados das responsabilidades com a prole por meio de medidas como os míseros cinco dias de licença paternidade. Nesse viés, cabe analisar que a legislação em vigor é o reflexo de uma sociedade machista e desconsidera a importância do pai nos primeiros dias de vida. 


   Primeiramente, é necessário analisar que a imagem da mulher no Brasil, desde a colonização, é construida através de esteriótipos patriarcais e cristãos, que associam à figura feminina uma "natureza" maternal, ligada aos cuidados da casa e da família. Nesse sentido, a francesa Simone de Beauvoir, símbolo do feminismo e da filosofia existencialista do século XX, afirmava que a maternidade era a escravidão da mulher, uma vez que deveria abdicar de sua vida para casar, procriar e cuidar do lar. Dessa forma, os poucos dias que são concebidos ao homem para acompanhar seu filho após o nascimento refletem as raízes culturais machistas do nosso país e, de certa forma, contribuem para manutenção da rotina de duplas e triplas jornadas assumidas por muitas brasileiras. 


    Além disso, a licença paternidade atual exclui a importância do pai na criação de vínculos com o bebê e na transmissão de valores como a equidade, que é naturalizada pela criança quando vê o homem participativo nos cuidados e dividindo responsabilidades. Sob tal lógica, Thiago Queiroz, escritor brasileiro e criador do blog "Paizinho, vírgula!", analisa que quando a figura paterna se compromete aos cuidados da prole, desenvolve empatia e sensibilidade, aplicadas, também, na relação com a esposa e os colegas de trabalho. Dessa forma, expandir a licença, além de romper com estruturas patriarcais e deterministas, contribui para a formação de uma sociedade mais igualitária, empática e consciente, seja na geração atual ou futura. 


    A fim de promover, portanto, a relação saudável entre pais e filhos e pôr fim a discriminação que envolve a maternidade, é de extrema importância que a licença paternidade atual seja aumentada para quatro meses. Para isso, o Ministério da Familia, em conjunto com o Ministério da Economia e o Poder Legislativo, devem desenvolver o projeto "Paternidade Legal", garantindo que o salário masculino não seja diminuído no usufruto do benefício. Ademais, é necessário, também, que se divulguem campanhas nos meios midiáticos para explicar à população a importância de tal ação, trazendo argumentos de autoridade e dados relevantes. Desse modo, transformaremos a escravidão assinalda por Simone em histórias tão lindas como a de Gardner. 

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!